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Edição Nº 80 Director: Mário Lopes Quinta, 14 de Junho de 2007
Novo Aeroporto de Lisboa
Núcleos empresariais e regiões de turismo contestam adiamento da Ota

     


Conferência de imprensa

Na sequência das declarações do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, em relação à localização do novo aeroporto de Lisboa, a Agência de Desenvolvimento Regional do Oeste (ADRO), o Conselho Empresarial do Centro (Coimbra), a Associação Empresarial da Região de Santarém (NERSANT) e as Regiões de Turismo do Oeste, Leiria-Fátima, Ribatejo e Templários promoveram uma conferência de imprensa no dia 13 de Junho, na sede da ADRO, em Torres Vedras, para divulgar uma posição conjunta sobre este assunto, considerando estar em causa a credibilidade e a estabilidade nas decisões do Governo.

      Estiveram presentes nesta conferência de imprensa Telmo Faria, presidente da ADRO; Fernando Cardoso, presidente da Assembleia Geral do Concelho Empresarial do Centro - CEC; António Carneiro, Miguel Sousinha, Carlos Abreu e Jorge Neves, presidentes das Regiões de Turismo do Oeste, Leiria-Fátima, Ribatejo e Templários, respectivamente; José Eduardo Carvalho, presidente da Nersant e Sabrina Ribeiro e António José Correia, membros da ADRO. A Nerlei não pôde estar presente por motivos de última hora, mas manifestou total concordância em relação ao projecto da Ota.
     
      Relativamente às declarações proferidas pelo ministro das Obras Públicas no dia 11 de Junho no Parlamento onde anunciou mandatar o LNEC para estudar primeiro a viabilidade do campo de tiro de Alcochete e depois compará-lo com a localização já escolhida da Ota para construir o novo aeroporto de Lisboa (NAL), a ADRO, CEC, NERSANT, Regiões de Turismo Oeste, Leiria-Fátima, Ribatejo e Templários manifestam discordância por este adiamento no início dos procedimentos de concurso para a construção do NAL.

      “Lisboa e o País precisam e isso é inegável de um bom e moderno aeroporto internacional. Durante anos e anos houve lugar a uma discussão técnica que culminou numa decisão política tomada em 1999. Desde essa data todos os Governos, sem excepção, deram estabilidade quanto à decisão da localização. Isso gerou credibilidade interna e externa. Muitos investidores puderam acreditar que valia a pena investir em novos territórios, como por exemplo no sector do turismo no Oeste, com investimentos superiores a 3 mil milhões de Euros em curso, dada a garantia de um futuro e moderno serviço aeroportuário”, referem.

     


Miguel Sousinha, Fernando Cardoso,
Telmo Faria e António Carneiro

Para os signatários, “o que está em causa é por isso uma questão de credibilidade e de garantir estabilidade nas decisões governativas que se tomam. Até segunda-feira, alguns lutaram para que se abrisse de novo a discussão em nome de um consenso, que todos sabemos que não existe e que não existirá face aos interesses divergentes em presença. Alcochete é em primeiro lugar um sinal de instabilidade que já se introduziu no processo. Pode ser também um sinal de adiamento muito maior, caso fosse considerado viável.” 

      O grupo vai ainda mais longe, afirmando que “Alcochete pode também significar a abertura de um novo ciclo da vida política portuguesa: o da demissão das responsabilidades políticas num processo tão grandioso para Portugal, entregando essas responsabilidades a uma estrutura eminentemente técnica e de uma só especialidade. Será que é ao LNEC que cabe agora decidir? Será que é ao LNEC que cabe criar a equipa que produzirá a decisão? Não queremos acreditar e esperamos que tal não aconteça. É ao Governo e ao Senhor Ministro das Obras Públicas que caberá a decisão do futuro NAL e não ao LNEC ou a qualquer outro organismo.”

      Os elementos presentes contestam ainda o “secretismo” destes “estudos milagrosos” encomendados por alegados empresários próximos da CIP, considerando-os uma “autêntica “jogada” pouco transparente e clara.” Os signatários terminam defendendo que “a Ota sempre significou um resultado de um processo amadurecido, transparente e com qualidade nos seus estudos e soluções. Por isso sempre apoiámos o Governo nesta decisão e assim continuaremos a fazê-lo, desde que se demonstre firmeza e estabilidade nas decisões em nome do crescimento do emprego e da economia portuguesa.”

Telmo Faria: esta situação “faz mal ao País.

     


Telmo Faria

O presidente da ADRO considerou estarem presentes um conjunto de pessoas que representam vastíssimos interesses económicos e realidades e dinâmicas económicas de uma parte não desprezível de Portugal como é a Região Centro. “Estamos aqui preocupados com os empreendedores, investidores que precisam de ter um clima de confiança, que precisam de estabilidade nas decisões e que se sentem muito intranquilos e muito insatisfeitos por ver que situações desta importância começam a ser ameaçadas a todo o momento à custa de polémicas, prejudicadas e adiadas.” 

      “Na Região Oeste sempre pusemos o interesse económico e o interesse regional à frente dos interesses de natureza partidária e parece-me que é um mau caminho fazer frente a uma posição que tem sido apoiada pelos últimos governos, inclusive do PSD e CDS”, afirmou Telmo Faria, acrescentando que “o Governo tem todas as condições para fazer aquilo com que se comprometeu com os portugueses de fazer este projecto da Ota, de o retirar dos gabinetes e começar a obra.”

      O presidente da Câmara Municipal de Óbidos lembrou que, no dia 4 de Maio, no Congresso do Oeste, “o ministro das Obras Públicas falou alto e claro que este projecto era um projecto irreversível e que os procedimentos de concurso iriam abrir durante o segundo semestre. Estamos a reagir a uma alteração desta posição. Há uma percepção de que esta decisão não deveria ter sido tomada, é mais um adiamento que não é bom para a economia portuguesa e para o clima de confiança que deveria de existir.”

      Assim, “preocupa-nos sobretudo esta situação quando o primeiro-ministro e o Presidente da República têm sido os grande defensores da estabilidade em Portugal.  Estamos a falar de estudos abstractos que ninguém conhece e que foram suficientes para causar esta situação”, disse o autarca, acrescentando que esta situação “faz mal ao País”.

Fernando Cardoso: novo aeroporto deve estar junto das populações e dos agentes económicos

     


Fernando Cardoso

Por sua vez, o presidente do Conselho Empresarial do Centro lamentou que “este tipo de dificuldades acabem por descredibilizar o país internacionalmente na área económica, desmobilizem os agentes e prejudiquem os processos de desenvolvimento e investimento”, lamentando que não sejam ouvidos os que estão interessados em atingir objectivos com o projecto. Fernando Cardoso considerou só fazer sentido fazer um aeroporto internacional português e intercontinental se houver no mínimo 12 a 15 milhões de habitantes, pelo que deverá ser uma plataforma que permita continuar a desenvolver o tráfego do Brasil para a Europa, uma vez que a TAP já transporta  60% destes passageiros. 

      O empresário referiu que a região centro representa 20% da economia portuguesa e, por isso, deslocar mais para sul o aeroporto é estar a dizer a uma vasta área populacional que está cada vez mais longe para deslocações aeroportuárias. O presidente do CEC defende a solução Ota devido às acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, uma vez que a Ota está junto à A1 e à futura linha do TGV. “Por razões de ordenamento do território, face à população, às cargas, aos projectos de turismo e às acessibilidades, não faz sentido que o aeroporto não se situe a norte de Lisboa”, disse.

      Segundo Fernando Cardoso, “abriu-se aqui um ciclo de incerteza, de instabilidade e é contra isso que estamos aqui a reagir”, lembrando que “90% do fluxo de cargas aeroportuárias é da região norte de Lisboa e como tal não se justifica um aeroporto a sul de Lisboa. A Ota é um projecto que serve o todo nacional.”

Miguel Sousinha: adiamento do novo aeroporto compromete Plano Estratégico Nacional de Turismo

      O presidente da Região de Turismo de Leiria-Fátima começou por recordar que “todos os destinos turísticos ou regiões turísticas internacionais têm um aeroporto” e que o Plano Estratégico Nacional de Turismo, apresentado há cerca de um ano, será impossível começar sem a construção a muito curto prazo de uma estrutura aeroportuária.

      Miguel Sousinha, secundado por Carlos Abreu e Jorge Neves alertou que o adiamento da construção do Novo Aeroporto de Lisboa poderá “inviabilizar muitos dos investimentos turísticos para esta região, não só da Região Oeste, mas de toda uma vasta região que poderá ir de Setúbal até Coimbra. Este estudo e este adiamento “trará a Portugal consequências a nível de investimento turístico bastante deprimentes, nomeadamente naquilo que será a escolha dos operadores turísticos em Portugal”, concluiu.

José Eduardo Carvalho “Estamos a assistir a uma operação mediática sem precedentes”

      Segundo José Eduardo Carvalho, “o que estamos neste momento a assistir é a conjugação de um conjunto de interesses que tem como objectivo principal encontrar soluções anti-Ota. É uma operação que envolve uma situação mediática sem precedentes e que assumiu contornos não esperados. Este grupo de interesses muito bem organizado apostou forte na opinião pública e aparentemente venceu.”

      Para o presidente da Nersant, “só um Governo muito forte era capaz de resistir a estas pressões e essas características não têm sido as características de governação. Bastou um simples estudo de sensibilidade ambiental, que nem sequer serve para iniciar um processo, para adiar mais uma vez um projecto que já se chegou à conclusão que é imperioso a sua implementação. Não haverá consenso político nem consenso técnico relativamente a este projecto. A conclusão que chego é que mais uma vez a decisão deste investimento vai ser feita mais pela forma como estará formatada a opinião pública na altura da decisão.”

      O empresário terminou apelando, “como dirigente associativo, ao senhor engenheiro Van Zeller (presidente da CIP), que já que não quer dizer à opinião pública quem é o grupo de empresários que está por detrás do estudo de sensibilização ambiental, que diga pelo menos ao Sr. Presidente da República e ao Sr. Primeiro Ministro quem são as pessoas que estão por trás destas movimentações e deste estudo.”

António Carneiro contra interesses ocultos

      O presidente da Região de Turismo do Oeste começou por criticar a declaração do Presidente da República (que exigiu um estudo de custo/benefício) que permitiu “baralhar e dar de novo” e aqueles que na sombra usam alguns órgãos de comunicação social de sua propriedade. António Carneiro considerou esses interesses tão legítimos como os defendidos pelos dirigentes presentes, mas “a diferença é que nós estamos aqui a dar a cara.”

      Segundo António Carneiro, “temos vindo a assistir nos últimos tempos a uma intoxicação por parte de quem está à frente e não dá a cara de notícias na comunicação social. Nós estamos a jogar de forma limpa há muitos anos em defesa de uma vastíssima região que se estende até Coimbra, Castelo Branco e Viseu, onde está hoje o tecido económico mais firme e mais moderno do País. No que ao turismo diz respeito, já ultrapassa em muito os 3,5 milhões de euros de investimento estrangeiro, e grande parte desse investimento posso garantir-vos que foi feito sempre a pensar na chegada da A8, que já chegou, e na construção do Aeroporto Internacional da Ota.”

      O presidente da Região de Turismo do Oeste revelou que têm chegado ao seu gabinete “mensagens de muitos empresários nacionais e estrangeiros que mostram a sua preocupação com o que se está a passar e efectivamente não entendem que o Governo se tenha deixado levar por influências. Têm sido vários os governos que têm afirmado a Ota e nós continuamos a acreditar que é aí que tem de estar o aeroporto porque é no centro que está o futuro do país e não na área abrangível por essa hipotética alternativa. O projecto da Ota garantiu qualidade de serviço, acessos rápidos à cidade de Lisboa e às outras regiões do país. Continuamos optimistas, mas exigimos firmeza por parte do Governo”, concluiu.

14-06-2007
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