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Edição Nº 123 Director: Mário Lopes Quinta, 30 de Dezembro de 2010
Opinião
Inauguração da Casa da Cultura de Mira de Aire: uma prioridade ou um elefante branco?
   


Cartoon 

São algumas as vozes que se levantam contra o investimento feito na construção da Casa da Cultura de Mira de Aire – para cima de dois milhões de euros. Dizem os mais cépticos tratar-se de um autêntico “elefante branco”, querendo significar que é um empreendimento grande e vistoso que não virá a ter a proporcional utilidade. Argumentam existirem outras necessidades mais urgentes no concelho, até mesmo na vila de Mira de Aire, que se encontra a braços com uma grave crise na sua mono-indústria têxtil e lanifícia, de onde resultarão inevitáveis problemas sociais e económicos que urge atacar prioritariamente. Também o saneamento básico, cuja 1.ª fase está em curso, é considerado por alguns de muito maior precedência. O executivo camarário tem dificuldade em convencer estas vozes recalcitrantes da justeza das razões que o levaram a dar prioridade a tão avultado investimento, num só equipamento cultural. Alega a edilidade que se trata de uma resposta às tradições culturais de Mira de Aire, que conta com mais de uma dezena de colectividades de cariz cultural ou recreativo e há muito aspiram a uma obra que substitua condignamente o antigo cine teatro, desactivado há duas décadas e demolido em 2001. Além disso, foi a forma do município aproveitar um financiamento de 1,7 milhões de euros, a que se candidatou, proporcionado a nível central pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional, cabendo ao orçamento camarário cobrir apenas o valor remanescente. Sem esse apoio nunca seria possível concretizar tal projecto, porque se sobreporiam sempre outras prioridades. E, acrescentaríamos nós, dada a sua dimensão, multifuncionalidade e modernidade, fica valorizado todo o concelho, e não apenas Mira de Aire, não deixando Porto de Mós envergonhado, se o compararmos com equipamentos congéneres existentes noutros municípios, mesmo os mais metropolitanos. Pensamos, também, que foi um justo emendar de mão da edilidade portomosense, compensando Mira de Aire do abandono a que foi votada, de forma ostensiva, na administração de Gomes Afonso e, mais moderadamente, na de José Ferreira. Sublinhe-se ainda que os mirenses pagaram adiantado esta obra, ao elegerem o actual presidente João Salgueiro que, honra lhe seja feita, saldou agora sem regateio uma boa parte da sua dívida para com o eleitorado. Quanto às más-línguas que murmuram do investimento, sendo de fora da freguesia, ainda se compreende que padeçam de “dor de cotovelo”e não entendam que o concelho é globalmente valorizado, sendo de dentro, apenas me ocorre chamar-lhes “velhos do Restelo” e “mal agradecidos”. No que respeita a prioridades, é tão vasta a lista de carências do nosso município, que me conformo com a justificação de que: já que de pobres não passamos, não nos obriguem a ser também ignorantes, sonegando-nos o acesso à cultura.

   O génio do Sr. Presidente

   Na inauguração da Casa da Cultura de Mira de Aire, no passado dia de Natal, João Salgueiro não revelou possuir o necessário “fair play” que se espera de um presidente de câmara e de um político já veterano. Não conseguiu resolver com serenidade e elegância uma situação que se lhe deparou como adversa. Ao não encarar com um discurso sabujo e bajulador que talvez esperasse, somos da opinião que se precipitou. Perante a ironia do guião de apresentação do espectáculo inaugural, ao serem proferidos termos como “pré-inauguração” e “reinauguração”, subiu ao palco por duas vezes para, em tom irritado e numa postura um tanto ou quanto arrogante, “desmentir” os apresentadores e explicar a sua versão dos factos – “O que esta senhora disse não é verdade!”. Da primeira vez chegou mesmo a colocar a hipótese de se ausentar do local, por considerar desrespeitosa a abordagem efectuada pela apresentação. O guionista utilizou o vocábulo “pré-inauguração” numa alusão irónica à forma apressada como a obra foi inaugurada, mesmo antes de estar integralmente concluída e dotada de todo o equipamento previsto para o pleno funcionamento. Sabe-se que uma boa parte da urgência resultou da pressão exercida pelos Quarentões-2010, para que a inauguração ocorresse ainda dentro do ano em que organizam a Festa da Padroeira da vila. Mas não importa, a mordacidade do argumentista não se compadeceu de tal. Na mesma linha satírica aventava uma “reinauguração com letra grande” para quando tudo estivesse pronto de facto. “Não haverá reinauguração! Esta casa está inaugurada e bem inaugurada!”, contrapôs o autarca, entre outros remoques, de forma abrupta e precipitada, tomando a ironia como asserção literal, sem aguardar pelo fim do espectáculo para, depois sim, fazer uma justa avaliação do mesmo, que, afinal, quanto a nós, decorreu a seu favor, culminando numa coroa de glória, tanto para a sua pessoa como para o executivo a que preside. Não tendo saído em ombros, é certo, foi contudo profusamente obsequiado com sucessivos elogios e agradecimentos vindos dos mais variados intervenientes que naquele palco desfilaram, assim como efusiva e reconhecidamente aplaudido pela muita assistência que compareceu ao evento. É caso para dizer: não havia “nechechidade”, Sr. Presidente! Que chilique daria ao Sr. Presidente se, à última da hora, durante o intervalo do espectáculo, por causa do revelado mau feitio, o rabulista Dionísio Duque não tem suprimido uma coluna vertical nas suas “palavras cruzadas” que dava para “Casa da Cultura” um “presente envenenado”? Ia ser o bonito! Cedo começa o seu lápis azul a riscar na Casa da Cultura de Mira de Aire, Sr. Presidente. Controle lá esse génio, porque os mirenses admiram o seu trabalho e até gostam de si. Não deite agora tudo a perder.
 
   Aires de Miro
30-12-2010
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