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Edição Nº 211 Director: Mário Lopes Segunda, 6 de Agosto de 2018
Opinião
A benesse do clima chegou ao fim
  
             Joaquim Vitorino
O crescimento demográfico e industrial tem, nos últimos anos, arrastado a Terra para o perigo irreversível da contaminação tóxica do ar que respiramos, da água que bebemos, e dos solos que nos alimentam, levando o planeta Terra a uma catástrofe de dimensões de difícil previsão, sendo o primeiro alerta já dado pelo declínio dos Oceanos, em que algumas das espécies se estão a extinguir sem darmos conta, mas que são aos milhares anualmente. Outras vão-se afastando das orlas marítimas, para se protegerem da poluição costeira, uma vez que quase 90% da população mundial vive à beira dos grandes mares e oceanos e também dos grandes rios, onde tudo é despejado como se de lixeiras se tratasse.

   Quanto maiores são os aglomerados populacionais, maior será a poluição periférica, forçando os pescadores a uma deslocação cada vez mais distante, para alimentarem os formigueiros humanos que habitam e poluem as grandes Cidades costeiras. Este drama terá consequências dramáticas quando forem severamente afetadas as zonas agrícolas periféricas das grandes cidades, já saturadas pela poluição dos solos e da atmosfera, forçando à deslocação da população de grandes metrópoles, algumas delas terão em breve duas vezes a população de Portugal. Por exemplo, só em duas cidades como São Paulo e Cidade do México, dentro de 25 anos terão mais população juntas do que a Espanha.

   Quanto ao ar que respiramos, estamos a chegar ao limite concebível e a situação está a agravar-se quase radicalmente sem que nos apercebamos. Efetivamente, o que nos permite respirar oxigénio e usufruir de uma temperatura moderada está a chegar ao fim, tendo o processo já entrado em rápida aceleração. A Terra tem sido ao longo de milhões de anos um Planeta estável, mas essa benesse pode ter chegado ao fim. As variações climáticas vão ser mais frequentes em algumas partes do globo, podendo atingir nalguns locais temperaturas radicais em calor e frio, mas também receber chuvas torrenciais em locais não tradicionais, obrigando à deslocação de povos inteiros em busca de refúgio nos países mais temperados, mas que não o serão por muito tempo, porque também estes irão no futuro ser afetados.

  
                 A Terra vista da Lua
O aumento da concentração de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono, provocado pelo uso excessivo da queima de combustíveis fósseis e outros derivados que poluem a atmosfera são cada vez maiores e estão na origem do aquecimento global, colocando em perigo iminente toda a estabilidade do nosso habitat.

   Há muito que a ciência traçou este quadro negro: se nada for urgentemente feito em defesa do ambiente, num futuro que não está muito distante, não haverá ninguém para poder comentar o que acabo de escrever. Se não se inverter o fluxo de populações que se concentram nas orlas marítimas e nas margens dos grandes rios, a situação irá agravar-se rapidamente, colocando o planeta numa situação de insolvência alimentar, que será acompanhada de conflitos locais e globais, como já estão a acontecer um pouco por toda a parte.

   Os humanos, para sustentar o avanço tecnológico e a corrida ao armamento, desventraram o Planeta para dele extrair minérios e petróleo, deixando grandes cavidades no subsolo que em alguns locais pode levar ao enfraquecimento da crosta e ao seu abatimento, provocando sismos que se forem subaquáticos podem dar origem a tsunamis. O perigo de não retrocesso é mais que evidente, o que para os humanos pode parecer um processo lento, para a natureza já vai bastante avançado.

   A deterioração dos mares, convertidos em lixeiras oceânicas, é superior em tempo a uma civilização, e as montanhas de plásticos acumulados nos fundos dos mares e oceanos estão a crescer a um ritmo assustador. Tudo em consequência do que se extrai do subsolo para alimentar o crescimento da população mundial, com grande incidência nos países emergentes que estão numa fase imparável de crescimento económico e, embora compareçam nas cimeiras sobre o clima, dificilmente vão subscrever qualquer acordo que ponha em risco o novo estatuto que têm de novos colossos da produção Mundial. O cumprimento de algumas medidas em defesa do ambiente de pequenos países como Portugal é para ter em linha de conta, mas apenas como exemplo, porque pouco peso terão em comparação com os grandes poluidores do Planeta Terra.

   J. Vitorino

Astrónomo Amador
06-08-2018
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