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Edição Nº 52 Director: Mário Lopes Sábado, 29 de Janeiro de 2005
Opinião
S. Valentim

 António Honório

Na Primavera, as cores parecem mais vivas e os sons mais sinfónicos. Desde os gatos que soltam melodias às gatas, procurando amor, às flores que rebentam numa serenata de cores vivas, engalanadas para uma festa imaginária. É Primavera, é cor, é alegria, é a natureza a rebentar o desejo de fecundidade. Pois ora que nós, simples humanos mortais, partilhando da natureza carnal e animal do resto da natureza, não poderíamos ficar indiferentes: há qualquer coisa no ar que circunda a pele, o corpo, o coração... essa coisa a que, muitas vezes, indiferentes, passamos, é o amor!, o amor florido numa pétala de rosa ou num sorriso, o amor crescente no que anda no ar!... é Janeiro, é Fevereiro: é Primavera que começa a despontar! É altura e S. Valentim, padroeiro dos namorados!, padroeiro dos amores, afectos e paixões.

S. Valentim é próximo! 14 de Fevereiro, a data escolhida para celebrar os namoros e os afectos. Muito não falarei acerca desta data! Quanto a mim, é só mais uma desculpa, no bom sentido, para celebrar a afeição que temos por quem temos, no mau sentido, um modo de grandes empresas facturarem ainda mais. Portanto, S. Valentim, tradição herdada dos ingleses e americanos, tornou-se mundialmente o padroeiro dos namoros e paixões!

Nós por cá, temos o nosso rico Santo António, muito milagreiro e casamenteiro. Mas, bairrismos desnecessários aparte, o que interessa é que, além de um dia consagrado à mútua comunhão de desvelos, haja também esse espírito durante os restantes dias do ano! Analogando com o Natal, diremos. S. Valentim... é quando um homem quiser! No entanto, a questão de S. Valentim e de Santo António remete-nos para outra que lhe está no cerne, e que também concerne, na opinião de muitos, tudo o que por aí se faz: o amor, noções de amor... já foi dito o que era o afecto e a paixão, resta agora dizer o que é, em sentido tão vasto, o amor.

O que é o amor? Muito foi escrito acerca disso. Amor já foi confundido com afecto, com desespero, com perdição e salvação, ou até como mero acto animal remanescente ao ser racional que é o ser humano. Com todas elas discordo e antes de mais defendo: cada um deve ter a sua noção de amor, de partilha, de sentimento, de envolvência total dos sentidos, todos os sentidos num só confundidos, como dizia Garret!... mas ainda assim permanece, o que é o amor? Dizia um antigo que era filho do Engenho e da Necessidade... diziam outros outras coisas díspares, e outros ainda, quero notoriedade, prometiam poções milagrosas de amarros e mezinhas de amor... nada disso!, amor não pode ser nada disso!... se vivido por cada um de maneira "pessoal e intransmissível" pode ser entendido num patamar comum, até para que todos saibamos, com segurança, o amor que vamos dar e receber de outros.

Dizia alguém de quem nos fica o nome, que amar é querer bem: querei bem aos vossos inimigos, ama o teu próximo como a ti mesmo... talvez a noção mais bela e sublime de amar: querer bem... e nas palavras do Príncipe Imortal: amar é não mais do que bem querer. Talvez tenham razão. Mas cabe a cada um descobrir. Mais do que dar respostas, espero que a leitura deste texto possa suscitar perguntas para que todos nós possamos, dentro do nosso íntimo, descobrir o que queremos da vida e do amor, de nós e de quem nos está próximo, de quem está longe e da face que beijamos todos os dias, ao deitar, ainda que em pensamento. No meio de tantas palavras, de tantas mortes e vidas nascidas de uma simples palavra - amar - fica-nos o vazio de borrões de tinta ordenados conforme gramática em folhas brancas de papel.

No meio disso tudo ficamos com o problema de séculos: o que é o amor? É fogo, é paz, é guerra? É a chuva que cai, a lua que se ergue no alto ou o raio de sol que vem poisar nos olhos de alguém, cintilando? Amor é querer bem, o que a alma dita. É o alfa e o ómega, o princípio e o fim da vida pela qual estamos e um dia partimos, só fazendo sentido numa perspectiva imortal da pessoa: poder-se-á partir mas a alma fica... e, com ela, o amor imortalizado em tudo o que não é passageiro e para sempre murmurará a palavra mágica:

"Amo-te!", à palavra sussurrada que resta.

Sem qualquer laivo de originalidade, redigo: urge reinventar o amor! Não o amor das novelas brasileiras ou congéneres portuguesas: urge reinventar e redescobrir o autêntico amor português, aquele de Pedro e Inês, ou de tantos outros anónimos cuja história somente ficou registada em lágrimas e memórias de avós para testemunhar aos netos. Deixar de lado os bilhetes, os amores mal parados, as vidas deixadas à deriva no oceano do mundo e sim, tal como os navegadores antes de nós, embarcar numa aventura antiga: fazer do coração as naus, do mar a vida, da aventura o amor nosso apetecido todos os dias.

Sem, novamente, laivos de originalidade, repito algo que ouvia muito em miúdo: façam o favor de ser felizes!


         António Honório
    Estudante universitário

29-01-2005
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