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| Rui Veloso na Feira de S. Bernardo |
A Feira de S. Bernardo 2003 realizou-se de 20 a 24 de Agosto em Alcobaça, tendo apresentado como grande novidade a exposição do Museu dos Coutos, dedicada aos 850 anos da morte de S. Bernardo, patrono da feira. No programa de animação, Rui Veloso foi o nome maior e não desiludiu os muitos fãs que lotaram o espaço. Na inauguração do certame, que contou com a presença do ministro da Cultura, o edil Gonçalves Sapinho anunciou que pretende fazer de Alcobaça uma Capital da Cultura em permanência.
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| Adiafa: música e humor em Alcobaça |
Uma feira popular e tradicional. E é este mínimo denominador comum que faz com que a Feira de S. Bernardo seja o ponto de encontro da maioria dos alcobacenses no mês de Agosto. Milhares de pessoas demandam, assim, os tradicionais carrinhos de choque, carroceis, farturas, pipocas, algodão doce e o pavilhão de artesanato, repleto de artesãos. E, antes ou depois dos concertos, é da praxe uma passagem pelo MercoAlcobaça, que este ano, apesar da recessão económica, registou um aumento no número de expositores.
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Loto: um grande palco antes do primeiro CD |
A afluência do público é, regra geral, directamente proporcional à popularidade dos cantores constantes do cartaz da feira. Assim, Rui Veloso, Adiafa e Tony Carreira fizeram com que milhares de pessoas enchessem o espaço dos concertos. Já os alcobacenses Loto - que se preparam para lançar o seu primeiro CD - e os brasileiros Mexe Mexe, tiveram uma assistência mais modesta, com algumas centenas de pessoas.
O ministro da Cultura, Pedro Roseta, fez-se acompanhar no dia da inauguração por Clara Camacho, responsável pela Rede Portuguesa de Museus e por Gonçalves Sapinho, presidente da Câmara de Alcobaça e seu amigo pessoal desde os tempos em que ambos eram deputados na Assembleia Constituinte. O autarca lançou a hipótese de uma futura candidatura de Alcobaça a Capital Nacional da Cultura sublinhando que a cidade tem, inclusivamente, "todas as condições para ser uma Capital da Cultura com carácter permanente".
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Feira de S. Bernardo: uma feira tradicional que se crê remontar à Idade Média |
Uma sugestão que, no entanto, mereceu do ministro da Cultura uma resposta prudente, apesar de reconhecer o papel cultural da cidade à qual está ligado desde a infância. Pedro Roseta fez questão de realçar o papel dos monges no desenvolvimento da região, a importância dos Coutos de Alcobaça na fundação da nacionalidade, o facto de uma das primeiras escolas do Portugal independente ter nascido em Alcobaça e do próprio nascimento da Universidade no século XIII ter sido em parte impulsionado pelo abade de Alcobaça e a partir, além do papel cultural muito forte que sempre teve até aos nossos dias.
O ministro manifestou o interesse, agora que o Mosteiro de Alcobaça está totalmente liberto, depois da saída do Lar Residencial, em aproveitar o melhor possível o monumento Património da Humanidade, que considerou uma obra de arte única: "Há quem a considere, conjuntamente com o Convento de Cristo, o Mosteiro dos Jerónimos e com a Batalha os grandes monumentos nacionais. É verdade que houve monumentos como este em França, mas a maior parte deles foram destruídos".
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| Presépio da Cela no pavilhão de artesanato |
Por tudo isso, Pedro Roseta reconheceu "a importância especial da Cultura em Alcobaça, por virtude da história, que aqui ficou, quer na escrita, na historiografia, com nomes como Frei António Brandão, considerado por muitos o pai da historiografia portuguesa, na escultura, no trabalho dos barristas de Alcobaça. Agora que falamos na necessidade de recentrar a Cultura, Alcobaça será certamente um centro, mas o ministro da Cultura não o pode classificar em relação aos outros centros. Isso deixo para o Sr presidente da Câmara de Alcobaça", concluiu com um sorriso.
Museu dos Coutos de Alcobaça:
a homenagem a S. Bernardo
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| Museu dos Coutos de Alcobaça: uma parceria entre a ADEPA e a autarquia e apoio do Governo |
A Câmara Municipal de Alcobaça, em parceria com o Museu dos Coutos de Alcobaça apresentou na Feira de S. Bernardo uma exposição alusiva às 18 freguesias do concelho, nomeadamente, com materiais referentes ao seu património histórico, incluindo uma brochura distribuída gratuitamente aos visitantes. A coordenação científica pertenceu a Maria Olímpia Lameiras, João Oliva Monteiro, Carlos Mendonça, Benjamim Enes Pereira, Alberto Guerreiro e Jorge Barros.
O Museu dos Coutos de Alcobaça está integrado na Rede Portuguesa de Museus, que apoia os cerca de 90 museus que não pertencem ao Estado, o qual detém actualmente apenas 28 museus. A RPM dá apoio técnico e logístico aos museus integrantes da sua rede, propriedade, sobretudo, de autarquias, mas também de fundações, empresas e particulares.
O território dos Coutos de Alcobaça foi doado por D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval, o grande obreiro da Ordem de Cister, em 1153. De acordo com Frei Bernardo de Brito, em 1602, a doação resultou de um voto a Cristo por parte de D. Afonso Henriques, no local da Serra d"Aire e Candeeiros onde actualmente se encontra erigido o Arco da Memória. O voto, feito antes da conquista de Santarém aos mouros, prometia à Ordem de Cister "tudo quanto via com os olhos dali até ao mar", caso S. Bernardo o ajudasse na conquista da cidade, o que veio a acontecer.
Os Coutos de Alcobaça, na sua fase de maior expansão, compreenderam 14 vilas: Alcobaça, Aljubarrota, S. Martinho, Évora, Cela Nova, Maiorga, Turquel, Alfeizerão, Cós e Paredes, situadas no actual concelho de Alcobaça; Alvorninha, Salir do Mato e Santa Catarina, no actual concelho das Caldas da Rainha; e Pederneira, no actual concelho da Nazaré.
Mário Lopes