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Edição Nº 80 Director: Mário Lopes Segunda, 18 de Junho de 2007
SA Marionetas e CeDeCe estreiam bailado
no Cine-Teatro de Alcobaça
Deuses da dança e das marionetas à solta
na abertura de “A Caixa de Pandora”
   


"A Caixa de Pandora"

O grupo SA Marionetas – Teatro & Bonecos estreou, nos dias 8 e 9 de Junho, no Cine-Teatro de Alcobaça, o espectáculo “A Caixa de Pandora”, um bailado de grande intensidade e beleza plástica, com marionetas de 4,5 metros de altura, um verdadeiro hino para os sentidos. Uma co-produção de CeDeCe - Companhia de Dança Contemporânea e  S.A.Marionetas-Teatro & Bonecos, baseada na célebre história da mitologia grega.

       A história da mitologia grega, que faz de Pandora a causa dos males do mundo por ter aberto uma caixa interdita e solto demónios incontroláveis, assemelha-se à registada na Bíblia, com Eva a pecar por comer a maçã proibida. A história foi agora reescrita por José Gil e António Rodrigues com base nas várias versões existentes, clássicas e contemporâneas.

      O grande auditório do Cine-Teatro de Alcobaça esteve cheio na noite de estreia de “A Caixa de Pandora”. A expectativa era grande, pois não é todos os dias que bailarinos e marionetistas se cruzam para produzir um espectáculo. Contudo, José Gil mostrou, mais uma vez, um talento que faz da sua companhia um dos maiores ícones culturais de Alcobaça. Apostando em marionetas de grande porte, conseguiu criar no espectador a sensação de suspense e de temor dos demónios à solta.

      Por sua vez, António Rodrigues, coreógrafo da CeDeCe, criou um delicioso entrosamento entre marionetas e bailarinos, tornando o espectáculo único. O mote foi dado logo ao abrir do pano, com um belíssima escultura humana executada pelos bailarinos da CeDeCe. E como de deuses e demónios se tratava, a coreografia pôs bailarinos e marionetistas à prova, dançando a grande velocidade, deixando assim o espectador ainda mais agarrado à cadeira.

      E como nem só de criadores vive o espectáculo, destaque também para os intérpretes. Se os bailarinos estiveram irrepreensíveis, com movimentos de grande beleza e espectacularidade em palco, cativando a atenção do espectador do primeiro ao último minuto, os marionetistas tiveram um desempenho igualmente assinalável, sobretudo, sabendo que manipulavam este tipo de bonecos pela primeira vez. Além disso, conseguiram o feito de acompanhar verdadeiros atletas de alta competição numa coreografia em que a velocidade foi uma constante durante todo o espectáculo.

     


O elenco no final do bailado

No final, António Rodrigues revelou ter sido a primeira vez que a CeDeCe trabalhou com marionetas. Embora o repto tenha sido lançado pela S A Marionetas, o  espectáculo é de dança com participação de marionetas e não de marionetas com apontamentos de dança. O coreógrafo considerou a experiência “muito gratificante”, embora deixe para o público a última palavra. Contudo, a avaliar pela reacção dos espectadores no final da estreia, distinguindo os artistas com uma forte e demorada ovação, o êxito da tournée que já se iniciou está garantida. 

      Há três anos em Alcobaça, António Rodrigues considera que a integração da companhia tem sido óptima. O artista dá como exemplo de bom acolhimento a última actuação na cidade antes de se tornar companhia residente, com o bailado Romeu e Julieta. O espectáculo, em frente ao Mosteiro de Alcobaça, teve de ser adiado um dia por causa da chuva, mas, apesar disso, houve uma “aderência fantástica de toda a população”, que apareceu até com aspiradores para ajudar a secar o palco, se fosse preciso.

      O próximo espectáculo da Companhia de Dança Contemporânea será “Missa Crioula”, no encerramento do Cistermúsica, em frente ao Mosteiro. Marcado para Novembro está o Exchange Festival, com companhias de bailado a actuarem no Cine-Teatro de Alcobaça e a CeDeCe a deslocar-se às cidades das suas congéneres.

      Por sua vez, José Gil reconheceu que já é apanágio da sua companhia correr riscos novos, com uma ou duas grandes produções de dois em dois anos. Sem apoios do Ministério da Cultura, a SA Marionetas compensa estes grandes investimentos com pequenas produções, para se poder manter financeiramente. Embora a ideia original tenha sido sua, José Gil reconhece que António Rodrigues fez um trabalho excelente com os bailarinos: “A coreografia do António foi bastante arrojada, não pensámos que o resultado final fosse tão grandioso”, disse.

                       “A Caixa de Pandora”
 
      No reino dos deuses, certa vez alguém roubou o fogo para o dar aos homens, que viviam na terra, o grande Zeus ficou muito chateado com tamanha atitude. No entretanto, Epimeteu irmão de Prometeu casou com uma linda senhora que se chamava Pandora, receberam uma caixa de presente de casamento mas Prometeu pediu ao irmão para nunca a abrir pois não confiava nada em Zeus. Claro que a nossa amiga Pandora como era muito curiosa, lá conseguiu abrir a caixa, foi nessa altura que tudo aconteceu….
 
      A utilização de bonecos para representar histórias de deuses e humanos, remonta ao início da civilização; mesmo antes de utilizar o seu corpo para representar, o homem já utilizava marionetas para retratar os seus medos e glórias.

      Vários autores escreveram sobre este mito, uns acrescentando outros omitindo partes dele. Mas os mitos no fundo vivem de se acreditar neles sendo essa a razão da sua existência. Não tendo a intenção de aumentar toda a discussão em volta desta história, assim os SA Marionetas foram beber um pouco a cada uma das versões mais conhecidas criando esta versão, que pretende isso sim, apresentar de uma forma nunca antes representada a história da Caixa de Pandora, utilizando marionetas e bailarinos.

      A junção destas duas formas de arte, a dança contemporânea e o teatro de marionetas, só por si rara, levou os SA Marionetas a apostar na procura de semelhanças entre estas duas artes do gesto por excelência recontando a história de Pandora (pan=todos, dora=presente).
 
                           Ficha Artística

Ideia original - José Gil
Encenação - António Rodrigues – CeDeCe / José Gil - S.A.Marionetas
Coreografia - António Rodrigues
 Manipulação - José Gil, Sofia Vinagre e Natacha Costa Pereira
Construção das Marionetas - José Gil
Figurinos das Marionetas -  Sofia Vinagre
Figurinos dos Bailarinos - João Taborda
Bailarinos - Margarida Brito, Charly Corcy, Kleber Cândido, Catarina Correia, Erica Gawley (Aluna da ADC em estágio),  Amandine Leleu, Camila Moreira,  Joana Puntel,  Patrícia Silva, Luís Sousa,  Vanessa Vieira.
Pintura das Marionetas - Natacha Costa Pereira
Fotografia – Sofia Vinagre
Estruturas Cénicas - José Gil
Desenho de Luzes da Produção - António Rodrigues
Co-Produção de CeDeCe - Companhia de Dança Contemporânea e  S.A.Marionetas-Teatro & Bonecos

      Mário Lopes

 

18-06-2007
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