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Edição Nº 169 Director: Mário Lopes Sexta, 28 de Novembro de 2014
Opinião
O futuro do Cante Alentejano
   O Cante Alentejano – o canto das Modas – é um património e uma expressão genuína da tradição vocal, das memórias do tempo e do quotidiano do amor e do trabalho. Admite-se que as origens do Cante Alentejano provenham do teatro tradicional e dos cantos de trabalho e de baile, que ao longo do século XX foram perdendo coreografia e instrumentos. Há quem defenda que a génese do Cante Alentejano está na prática coralista gregoriana ou que é um legado cultural da presença árabe em Portugal e do cante mourisco. E até há quem considere que o Cante surgiu em oposição ao Fado. A primeira referência remonta ao final do século XIX e os primeiros grupos organizados terão surgido no início do século XX. O Cante deixou marcas e delas bebeu. Enriquece-se no “confronto” entre o Alto e o Baixo Alentejo, entre as terras de interior e as beijadas pelo mar, entre as gentes que ficaram e as que partiram em diáspora mas que ainda cantam, porque o Cante é pertença comum.

   Este canto colectivo e polifónico é repetitivo, pausado, monótono, em que alternam um ponto a sós e um coro, havendo um alto preenchendo as pausas e rematando as estrofes; começa invariavelmente com um ponto, dando a deixa e cedendo o lugar ao alto, seguindo-se o coro em que participam também o ponto e o alto. A sua evolução histórica atesta uma estabilidade das suas características melódicas e sotaque, mas cujos temas se foram ampliando: natureza, amor, maternidade, religião, trabalho, política, contemplação e nostalgia. Ficaram uma expressão vocal singular, uma solenidade e uma paixão na interpretação. O contexto da terra é fundamental, com cerca de uma centena e meia de grupos a cantarem em Portugal, embora se cante onde quer que haja alentejanos espalhados pelo mundo.

   A candidatura do Cante Alentejano foi entregue à UNESCO em Março de 2013, depois de, ano anterior, o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter decidido adiar a sua apresentação, por considerar que o processo não reunia condições para ser aceite. A candidatura foi promovida pela Entidade Regional do Turismo do Alentejo, em parceria com a Câmara Municipal de Serpa, com o envolvimento das comunidades, dos grupos e dos indivíduos na salvaguarda do seu próprio património cultural imaterial, e incluiu, entre outras, a recolha e análise documental, a recolha e análise da musicografia e a caracterização do Cante Alentejano, dos grupos e dos cantadores. Mas talvez não tenha sido tão inclusiva como se esperaria.

   Agora, o que importa é dar futuro a este Cante, para expressar as novas dinâmicas de mudança, a melhoria dos quadros de vida, a atracção e fixação de novas gentes e o sucesso crescente desta região como território turístico. E também escrever-lhe uma história, ainda em falta.

   A salvaguarda deste património é assegurada, também, pelo crescente envolvimento no ensino, facto que induz também a sua transmissão entre gerações. Devia passar, essencialmente, pela criação de novos temas. O rejuvenescimento deste Cante é desejável, atraindo cantadores jovens e autores desta e de outras escritas. Os lugares do Cante já não são só os tradicionais, públicos ou privados, como o campo de cultivo, as ruas, as praças, os largos, as festas, as residências e as tabernas, onde se tem reforçado a coesão social entre pessoas de diferentes origens, gerações e sexos. Mas o Cante também está na internet, para comunicar mais além.

   Neste sentido, abre-se um vasto espaço de partilha e pesquisa académica, tendo em vista aprofundar os estudos em perspectiva histórica, tal como os de salvaguarda e intercâmbio de tradições polifónicas do mundo. Assim como promover o Cante através das correntes turísticas de Portugal e do Alentejo, em particular.

   O Cante universaliza-se, simbolizado no “Passarinho Alentejano”, Moda criada há dois anos no âmbito das comemorações do Centenário do Turismo em Portugal, numa metáfora (figura de estilo) relativa ao cantador alentejano que leva a Moda ao mundo e ao mercado global. Se assim for, o Cante terá futuro.

   27 de Novembro de 2014

   Jorge Mangorrinha
28-11-2014
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