| 5ª edição do Books & Movies - Festival Literário e de Cinema de Alcobaça |
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| Ruy de Carvalho: “Quem passa por Alcobaça fica com qualquer coisa cá dentro” |
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 Ruy de Carvalho em frente ao Mosteiro de Alcobaça A 5ª edição do Books & Movies - Festival Literário e de Cinema de Alcobaça homenageou o ator Ruy de Carvalho, que este ano cumpre 76 anos de carreira. Em conversa com os jornalistas, falou da sua carreira e também do espetáculo “Trovas & Canções, Actores, Poetas e Cantores”, que interpretou conjuntamente com o seu filho João de Carvalho e Adelaide Sousa e Guilherme Madeira, acompanhados pelos músicos Ricardo Gama e João Correia.
Ruy de Carvalho nasceu em 1927 e conta já com 76 anos de carreira como ator, tendo-se profissionalizado com apenas 20 anos. É viúvo, tem um filho ator, João de Carvalho e uma filha jornalista, Paula Carvalho e três netos, um deles também ator, Henrique de Carvalho.
Enumerar todos os autores que representou seria uma tarefa ingrata, pois entre eles encontram-se quase todos os dramaturgos nacionais e internacionais. A sua interpretação de "Rei Lear", de William Shakespeare, com encenação de Richard Cottrell, ficará para sempre na memória de quem assistiu ao espetáculo no Teatro Nacional D. Maria II.
O ator foi por diversas vezes agraciado pelo seu trabalho e pela sua carreira notável, tenho recebido ao longo dos anos diversas honras nacionais, sendo Medalha de Mérito Cultural, em 1991; Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, em 1992; Comendador da Ordem Militar de Santiago, em 1998; Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora, em 2009; Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada, em 2010; Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, por ocasião dos 70 anos de carreira, em 2012; Grã-Cruz da Ordem de Mérito, por ocasião dos seus 90 anos de idade e 75 de carreira, no dia 1 de março de 2017, entre outros.
Em conversa com os jornalistas, no dia 14 de outubro, Ruy de Carvalho começou por falar de Alcobaça, interpretando a “Canção de Alcobaça” de Maria de Lurdes Resende, e referindo que já trabalhou muito em Alcobaça, sendo esta uma “terra que me é muito familiar, onde eu quando era director do Teatro Experimental do Porto passava muito, para visitar os meus filhos, quando não havia autoestrada”.
O ator recordou também as vezes que cá trabalhou, com Vasco Santana, Laura Alves e outros, e também aquelas em que “vinha comer o Frango na Púcara”, ou as outras “coisas maravilhosas, como os doces”, mas sobretudo “uma população que gosta de teatro”, tendo sido junto do “maravilhoso Mosteiro de Alcobaça” que gravou e interpretou D. Afonso IV, no filme Inês de Castro.
 Ruy de Carvalho com Mónica Alexandre Para Ruy de Carvalho “Alcobaça é uma terra com uma história maravilhosa, uma terra de que eu gosto muito, onde não vinha há alguns anos”, sendo a última vez para ver a exposição de Ana Maria Botelho, patente na Galeria do Mosteiro de Alcobaça.
O ator falou também do seu espetáculo “Trovas & Canções, Actores, Poetas e Cantores”, onde “um espetáculo muito bonito, para ver e ouvir”. É uma homenagem à língua portuguesa, à poesia portuguesa, à música e tem um bocadinho de teatro. Há sobretudo um enfoque na poesia que foi cantada. É um espectáculo onde o público também canta connosco, porque conhece tudo o que vamos cantar, e, embora não saiba de cor, canta connosco”, explica.
Ruy de Carvalho fez-se acompanhar pelo filho João de Carvalho e pela filha Paula Carvalho. João de Carvalho, referiu aos jornalistas que a ideia de fazer este espetáculo “surgiu a partir de uma tertúlia poética onde fomos os dois e sugeriram-nos que fizéssemos um espetáculo acompanhado com música. Entretanto falámos com a minha irmã e houve um diretor do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, que nos disse que quando tivéssemos o espetáculo pronto, estreávamos lá. E assim aconteceu, estreámos no dia 21 de março de 2014”.
Segundo o homenageado do Books & Movies 2018, “Trovas & Canções, Actores, Poetas e Cantores”, “é um espetáculo que junta três gerações: pai, filho e neto”, mas em que o neto teve que deixar o projeto e foi substituído por Guilherme Madeira.
Nesta homenagem à poesia portuguesa, cria-se “muita empatia entre nós e o público” e, por isso, o ator pede ao público “para cantar e sonhar connosco, que voltem a pensar que têm uma língua muito bonita, com músicas muito bonitas”, acrescentando que “a poesia é feita de poetas de todas as cores. Não há cores políticas, há poesia. É boa, venha de onde vier”, salientou.
Questionado sobre como foi quando soube que Alcobaça o queria reconhecer num festival dedicado ao livro e ao cinema, Ruy de Carvalho afirmou que recebeu “com muita alegria essa mensagem. Tenho tido na minha vida homenagens muito bonitas, feitas pelas cidades e pelo país. Esta é mais uma que me toca profundamente, porque quem passa por Alcobaça fica com qualquer coisa cá dentro”. Ruy de Carvalho admitiu que está “muito feliz por estar cá. É um dia muito feliz para mim, mais um marco maravilhoso na minha vida”.
 João de Carvalho com Inês Silva e Ruy de Carvalho Quando questionado sobre o facto de aos 91 anos (e meio, como fez questão de corrigir, entre risos) continuar o seu trabalho e a subir ao palco, questionou “o que é que seria de mim se eu não tivesse este trabalho?. Eu tenho necessidade de ir e até me admiro, com a idade que tenho, de estar tão ativo.” O ator garante que nunca escolheu o seu trabalho e que nos próximos tempos irá trabalhar numa nova novela e no Teatro Experimental de Cascais com alunos, alguns deles atores já formados.
De entre os vários trabalhos e personagens que interpretoru, Ruy de Carvalho destacou “o Rei Lear”, mas “o papel que mais me tocou foi em “Render dos Hérois” onde eu fazia um cego. Foi a personagem que me tocou mais profundamente, porque era um cego, mas era o povo português que é cego, e que vê quando quer”, acrescentando que “considero todos os papéis e personagens que fiz ao longo da minha vida como filhos”.
Questionado sobre se sente que os portugueses reconhecem o seu papel, e dos artistas em geral, Ruy de Carvalho afirma que “os portugueses em geral dão-me beijos e abraços na rua, não querem que eu morra. O Governo português e as entidades que dirigem a Cultura em Portugal também se têm lembrado de mim. Tenho várias condecorações, sou comendador por cinco vezes, sou embaixador, doutor honoris causa. Tenho a alegria de ser acarinhado pelos portugueses”, garante.
De entre as peripécias da sua longa carreira, recorda a conversa com o público durante a exibição de “O Judeu”, sentado numa escada, em que ao levantar-se sentiu as calças a rasgar e ficou “com o rabo à mostra” ou mesmo outra em que trocou a frase “eu comi um capão bem gordo” por “eu comi um capelão bem gordo”, o que deixou todos os seus colegas do elenco a rir, inclusive Eunice Muñoz, disse entre gargalhadas.
Questionado se prefere os Books ou os Movies, Ruy de Carvalho respondeu que prefere “os books, gosto de sentir o papel. O papel tem memórias, tem manchas de café, tem cheiros, que os filmes não têm. Tudo isso faz parte do nosso trabalho”.
Mónica Alexandre
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| 21-10-2018 |
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