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Edição Nº 72 Director: Mário Lopes Quinta, 28 de Setembro de 2006
Opinião
As Verdades Inconvenientes e o Turismo

     
      Jorge Mangorrinha
A realização, em Portugal, das comemorações oficiais do Dia Mundial do Turismo e o já famoso filme de Davis Guggenheim, realizado a partir do livro e das conferências de Al Gore, motivam a reflexão acerca das causas e dos efeitos das alterações climáticas nos principais ícones do turismo mundial, e de alguma forma também no nosso país.

         A interacção do ambiente com o turismo dá-se em cenários de conflito, de coexistência ou de simbiose. É comum associar-se o ambiente como gerador de bens turísticos, mas também como receptor de pressões que desafiam a sua capacidade turística. O balanço entre ambiente e desenvolvimento encontra-se presentemente em conflito no domínio da gestão turística, emergindo graves problemas ambientais que são, simultaneamente, causa e efeito.

       Os problemas retratados por Al Gore, à escala planetária, alertam-nos para as mudanças conhecidas e previsíveis no futuro, que têm efeitos na vida da Humanidade, tanto no seu quotidiano, como nos fluxos turísticos sazonais. As condições meteorológicas agressivas, as inundações, as epidemias e as ondas de calor fazem parte de um desafio global para a Humanidade, se esta quiser pensar na sustentabilidade dos recursos naturais e na sua própria sobrevivência. E o prazo para uma intervenção que inverta o curso dos tempos não se vislumbra tão longínquo, mas apenas à distância de uma década, de forma a salvar alguns dos mais notáveis territórios do nosso planeta.

      Os exemplos são muitos, e podemos vê-los a partir do sítio lançado pelo motor de busca Google, em parceria com as Nações Unidas, onde as zonas com maior degradação e destruição ambiental são alguns dos locais mais frágeis do planeta, com efeitos drásticos para as suas populações, e que são parte integrante da oferta turística mais procurada actualmente e, potencialmente, durante as próximas décadas.

      À escala mundial, as preocupações são acrescidas em diversos territórios: nos insulares e nos Países Baixos, face à subida dos níveis dos oceanos; na Amazónia, pela desmatação verificada; na Antártida, pela grande vulneração dos seus ecossistemas; nos pólos, em Kilimanjaro e nos Alpes, com cada vez menos gelo e neve; nas grandes e médias cidades, pela poluição resultante das emissões de dióxido de carbono relacionadas com a energia de transporte utilizada; nos parques naturais, lagoas e mares, pela recolha de tipos raros de espécies faunísticas ou pelo aumento da temperatura da água e da poluição.

       Sendo o turismo a maior actividade económica do mundo, necessitando de todos estes recursos, tem condições para inovar e para envolver o conhecimento dos melhores para um ordenamento sustentável do território. A inovação, que é um conceito desejavelmente assumido pela economia e pelo turismo em particular, deve também incidir na salvaguarda dos recursos naturais. Para tal, convém que, todos, estejamos conscientes da realidade ambiental do planeta, com efeitos já visíveis no nosso país, apostando num efectivo reordenamento da orla costeira nacional e na salvaguarda e valorização de todos os recursos turísticos, com especial importância para os ecossistemas mais frágeis.

      No filme de Guggenheim, a personagem principal é, verdadeiramente, a Terra, e não Al Gore, que é visto como a «estrela da companhia». Al Gore acredita que o planeta e as pessoas que nele vivem ainda têm longo caminho a percorrer, se houver porém uma mudança de mentalidade.

       Em particular, a comunidade científica alerta que as alterações climáticas são um dos principais problemas que se colocam à biodiversidade e à Humanidade, sendo necessário poupar combustíveis fósseis e energia, usar energias alternativas, salvaguardar os ecossistemas costeiros, reduzir o uso do automóvel particular, preservar e reflorestar as florestas. Estes são os recursos quase «invisíveis» do território turístico, mas essenciais para a sua sustentabilidade.

       Será que, em Portugal, estamos efectivamente a tratar destes problemas, concretamente, na protecção da orla costeira, na reflorestação das áreas devastadas pelos incêndios com espécies adequadas, na protecção dos lençóis freáticos e das águas subterrâneas e na retracção das expansões urbanas e regeneração dos centros através da nova geração de planos directores? À nossa escala, esta é a realidade conveniente para a capacitação do território e sua competitividade turística.

             Jorge Mangorrinha
Arquitecto. Consultor em Ordenamento Turístico

28-09-2006
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