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Edição Nº 58 Director: Mário Lopes Sexta, 26 de Agosto de 2005
Alcobaça
Alcina Gonçalves: "As minhas prioridades são os museus e o arquivo municipal"

Alcina Gonçalves 

A vereadora da Cultura de Alcobaça, em entrevista ao Tinta Fresca, fala dos projectos que abraçou nestes último mandato e das suas ideias para o futuro. Alcina Gonçalves elege como uma das prioridades a criação de um arquivo municipal e acredita que o Museu dos Coutos poderá servir para incrementar o turismo em todo o concelho, embora admita tratar-se de um projecto a longo prazo. A autarca responde ainda às críticas dos que consideram algumas das realizações da autarquia de elitistas, defendendo que uma programação cultural deve satisfazer todos os públicos.

TINTA FRESCA - O novo transporte público urbano de Alcobaça  pode também servir para os turistas?
ALCINA GONÇALVES - O transporte urbano destina-se principalmente aos munícipes de Alcobaça, mas pode servir também para os turistas, não fazemos discriminações. No entanto, nós queremos é que os turistas andem a pé no centro histórico e parem nas lojas para comprar ou beber um copo. Este é um sonho antigo, há muitos anos que se fala em reuniões de Câmara em colocar transportes urbanos. Tens-se falado também em alargar estes transportes às freguesias mais próximas como Vestiaria, Aljubarrota, Évora ou Maiorga, mas tudo dependerá do balanço que fizermos dos primeiros meses de funcionamento deste serviço.

TINTA FRESCA - Em que ponto está o Museu dos Coutos de Alcobaça?
ALCINA GONÇALVES - Antes de mais, devo dizer que Alcobaça aderiu à Rota dos Museus do Oeste, um projecto da Associação de Municípios do Oeste. Foi feito um folheto para cada museu do Oeste e dois dos museus de Alcobaça aderiram ao projecto: o Museu Arqueológico do Bárrio e o Museu dos Coutos.

O Museu do Bárrio é um pequeno museu ligado à Estação Arqueológica de Parreitas. Neste momento está inclusivamente a ser feito um livro sobre o assunto depois de duas ou três décadas de escavações naquele local. O livro já está na gráfica, mas não temos ainda data para o lançar. O Museu do Bárrio só está aberto ao público esporadicamente ou quando a Junta de Freguesia está aberta, mas não deixa de ter um espólio importante que a Câmara tem apoiado.

Quanto ao Museu dos Coutos, está a ser trabalhado há 4 anos, as pessoas podem achar que já deveria estar pronto, mas um museu por vezes demora décadas a pôr de pé. Nós temos a sorte de ter a trabalhar neste projecto a Drª Olímpia Lameiras, que toda a vida trabalhou com museus, a ADEPA, o Dr. Carlos Mendonça e um técnico contratado para este projecto (Alberto Guerreiro). No entanto, este não é um museu histórico para ter umas peças lá dentro, é um museu que vai ter sede em Alcobaça, mas depois encaminha os visitantes para os diversos coutos. O museu vai demorar mesmo décadas a ser feito porque alguns coutos têm o património bastante destruído e é necessário recuperá-lo.

Vamos começar com a recuperação de duas azenhas em Chiqueda, para o qual foi feita uma candidatura ao programa Líder, que comparticipará com 50% do investimento e a Câmara os outros 50%. Depois, temos a casa do Monge Lagareiro, os Fornos de Cal de Pataias e a Ribeira do Mogo: há todo um espólio patrimonial, que não é só arquitectónico, mas também florestal e ambiental, que tem de ser preservado.

Este é um projecto diferente e as pessoas têm de o encarar dessa forma. Além disso, o Museu dos Coutos não está ainda legalmente constituído porque temos estado à espera de indicações do Instituto Português de Museus e de legislação que só saiu recentemente. Na maior parte dos casos sou um pouco céptica, mas tenho sido uma apoiante de primeira linha deste Museu porque acho que tem pernas para andar.

TINTA FRESCA - O Museu Nacional do Vinho é um museu importante, a gastronomia e o vinho são sempre motivos de atracção turística, mas continua pouco aproveitado.
ALCINA GONÇALVES - O Museu do Vinho está sob a tutela do Instituto da Vinha e do Vinho, terá de ser a sua direcção a responder a essa questão.

TINTA FRESCA - Outro equipamento cultural importante para a cidade é o Museu Vieira Natividade. Mesmo não sendo de tutela municipal, tem havido comunicação regular com o IPPAR sobre o seu andamento?
ALCINA GONÇALVES - Sim, o Dr. Sapinho reuniu bastantes vezes com a anterior directora e com o actual director do Mosteiro. Mas acho que quem deve responder sobre a Casa-Museu Vieira Natividade é o IPPAR e não a Câmara.

TINTA FRESCA - Relativamente ao Festival de Música de Alcobaça, o presidente da Banda de Alcobaça afirmou que Alexandre Delgado continuaria a ser o director artístico se a actual maioria municipal vencesse as eleições.
ALCINA GONÇALVES - Essa posição é uma novidade para mim, a Câmara é uma instituição e os projectos têm de continuar, independentemente das eleições. O que eu posso dizer é que Alexandre Delgado é uma pessoa fantástica. Além de ser um conhecedor profundo do métier, é uma pessoa com quem tenho tido um prazer enorme de trabalhar: é educadíssimo, boa pessoa e um ser humano fantástico.

A parceria que a Câmara fez com a Academia de Música de Alcobaça tem resultado muito bem. O Cistermúsica está lançado e já é conhecido no País todo, umas vezes com mais público, outras vezes com menos público. Este ano os espectáculos foram pagos, mas tem de ser assim porque a Câmara não consegue sustentar tudo.

TINTA FRESCA - Rui Morais vai continuar como director do Cine-Teatro?
ALCINA GONÇALVES - Não sabemos, também é uma experiência, estamos a avaliar muitas coisas no Cine-Teatro. O que acho é que temos de ter orgulho porque foram recuperados mais de 50 cine-teatros na Região de Lisboa e Vale do Tejo - e eu sei porque pertenço à direcção da ArteEmRede - e o nosso cine-teatro é um dos que tem uma programação sistemática. Exceptuando Lisboa, muitos dos cine-teatros estão encerrados ou só estão abertos aos fins-de-semana.

A Câmara tem feito um grande investimento na área da Cultura, tem havido um pouco de tudo: música clássica ou pop, espectáculos para rir e para chorar, para crianças, cinema, dança... É um peso muito grande, irei apresentar contas em reunião de Câmara quando estiver tudo pronto. Temos algum prejuízo por mês, que eu prefiro chamar investimento, mas uma sala que custou 5 milhões de euros não pode nem deve estar fechada: seria um crime.

TINTA FRESCA - Também detém o pelouro da Educação, mas neste sector o seu trabalho tem sido reconhecido de forma consensual pela Oposição.
ALCINA GONÇALVES - Fico surpreendido que o trabalho realizado na área da Cultura não seja também consensual para a Oposição. Temos um Cine-Teatro a funcionar, temos uma Biblioteca Municipal a 100%, temos a Escola Adães Bermudes com Espaço Internet e vamos tendo actividades por todo o concelho. Em relação à Educação, há muita coisa que ainda falta fazer, temos 74 escolas do 1º Ciclo, das quais 14 estão fechadas e 60 abertas, e temos ainda 32 jardins de infância. Ao todo, são mais de 100 edifícios escolares.

TINTA FRESCA - O Ministério da Educação quer encerrar as escolas com poucos alunos...
ALCINA GONÇALVES - E acho bem. Temos encerrado algumas e não tivemos quaisquer problemas. Este ano vão encerrar três: uma em Monte de Bois, em que as crianças vão para o Bárrio, uma em Fonte Santa, freguesia de Évora de Alcobaça e uma da freguesia de Pataias. No entanto, a população escolar não diminuiu no concelho de Alcobaça, tens-se mantido mais ou menos constante.

A falta de alunos nalgumas escolas deve-se ao facto dos pais as deslocarem para escolas que vão ficando com melhores condições, nomeadamente, com ATL´s. Temos reparado e ampliado muitos dos 100 edifícios, temos feito ateliês de tempos livres com refeições e as escolas estão todas equipadas com telefone e Internet. Ainda faltam algumas coisas, gostaríamos de ter em todas elas um ginásio e biblioteca, apesar de já termos algumas bibliotecas escolares, pois temos feito candidaturas para o efeito.

Gostaríamos de ter muito mais, sobretudo, de já termos a Escola Básica Integrada de Alcobaça. A escola primária de Alcobaça está lotada, o jardim de infância só tem uma sala e não chega. A Escola do 2º Ciclo também está praticamente lotada e, por isso, gostaríamos de já ter começado a escola básica integrada. De qualquer forma, sabemos que Portugal não é um País rico e há escolas da Grande Lisboa que ainda funcionam em contentores. Gastamos muito dinheiro com este pelouro, nomeadamente, com os transportes escolares, o ténis e a natação para as crianças, temos dois autocarros para o efeito. Os pais são cada vez mais exigentes, mas temos a colaboração das juntas de freguesia.

RTP vai produzir série sobre Pedro
e  Inês de Castro 
TINTA FRESCA - Que expectativas tem para o Rossio, depois de concluídas as obras de requalificação urbana da zona envolvente ao Mosteiro de Alcobaça?
ALCINA GONÇALVES - As minhas expectativas são muito grandes porque nós temos uma cidade muito bonita e pequenina e, por isso, os turistas sentem-se cá bem. É frequente eu ver imensos turistas a tirarem fotografias ao palacete dos Paços do Concelho. Além disso, desde que os autocarros passaram a estacionar frente ao Mercado Municipal, é enorme a quantidade de turistas que circulam na zona histórica. Portanto, a situação só pode melhorar.

Resta aos comerciantes, apesar da má época que atravessamos, empenharem-se, remodelarem as suas lojas e cativarem os clientes. À Câmara Municipal compete manter a cidade limpa, não deixar calçadas partidas, as flores no sítio e os rios limpos, já estamos a tratar disso, e vamos também requalificar a zona das traseiras da Biblioteca Municipal. Alcobaça é uma cidade romântica, tem muitos cantos e cantinhos: de facto, é a cidade da paixão.

Caminhamos para uma cidade com turismo e oferta cultural, não só no Mosteiro, mas também no Cine-Teatro, nos futuros museus, biblioteca, lojas, cafés e restaurantes. Dentro de um ou dois anos falamos, mas o tempo vai consolidar esta grande requalificação. Quando tivermos tudo pronto e percebermos que temos milhares de pessoas a visitar-nos, vamos fazer um brilharete nesta cidade.

Depois, ainda podemos divulgar tudo o resto: as vilas históricas como Aljubarrota ou Cós, que ainda falta explorar, a Feira Medieval e a Mostra de Doces Conventuais, que são um sucesso. Além disso, S. Martinho do Porto está cheio de turistas, temos as praias do norte do concelho - esperamos que os projectos de golfe andem para a frente - e a Serra dos Candeeiros. Temos Património no concelho de alto a baixo e, como é objectivo do Museu dos Coutos, esperamos  mandar depois turistas para as várias localidades do concelho.

TINTA FRESCA - Como está a situação dos velhos barracões junto ao Rio Alcoa, que dão uma má imagem àquela zona? Tem havido conversações com o proprietário Salvador Maia?
ALCINA GONÇALVES - Só posso dizer que o senhor presidente e outros vereadores têm estado em conversações com o proprietário e acredito que possa haver uma solução.

TINTA FRESCA - Relativamente ao Ano Inesiano da Cultura, surgiram algumas críticas de falta de envolvimento dos alcobacenses, nomeadamente, dos professores de História e dos alunos das escolas, e de um certo elitismo na programação. Há também quem fale de pouca publicidade às comemorações dos 650 anos da morte de Inês de Castro para os turistas, nomeadamente, a ausência de pendões na cidade.

ALCINA GONÇALVES - No Cine-teatro há um pendão grande sobre o tema. E eu pergunto se o Cortejo Histórico foi elitista? Envolveu quase todas as associações do concelho, de elitista não teve nada! Por outro lado, as comemorações do Ano Inesiano chamaram a atenção para esta temática extremamente importante. Primeiro, a história de amor, depois o património riquíssimo: toda a gente está a tratar este tema, desde escritores, pintores, à música, ao cinema, à dança, ao teatro.

Quero dizer que o Moita Flores está a escrever uma série sobre este assunto, começou a ser filmada em Tomar e vai estar 15 dias no Mosteiro de Alcobaça em Setembro, com a Câmara de Alcobaça a apoiar logisticamente.

As comemorações levaram a que uma série de instituições actuassem em conjunto, desde as Câmaras de Coimbra, Montemor-o-Velho e Alcobaça, à Quinta das Lágrimas, Direcção Regional de Cultura do Centro e IPPAR e juntar estas instituições e fazer com que estejam todas de acordo quanto à programação é complicado. Se juntássemos mais instituições, mais complicado seria ainda.

No entanto, cada concelho introduziu na agenda actividades e projectos das suas associações culturais. Por exemplo, em Alcobaça a CeDeCe fez um bailado, a SA Maironetas fez um trabalho, um grupo de jovens de Alcobaça fez um bailado, muita gente trabalhou à volta deste assunto, mas como tudo na vida não se pode agradar a gregos e troianos.

TINTA FRESCA - Houve quem alvitrasse que o Ano Inesiano deveria ser tema anual das escolas, para ser abordado pelos alunos.
ALCINA GONÇALVES - Essa proposta não depende mim, eu não sou professora. Compete aos professores e aos agrupamentos de escolas pensarem também neste assunto.

TINTA FRESCA - E poderá ser feito ainda neste ano lectivo...
ALCINA GONÇALVES - Pode ser feito a qualquer altura. As pessoas dizem que as comemorações são elitistas, mas não participam e também não fazem nada em contrário. Agora vamos ter uma Feira de S. Bernardo pouco elitista, um bocadinho "pimba", mas tem de haver programas para todos, temos de ser abrangentes.

TINTA FRESCA - A experiência da feira nos últimos anos demonstra que é a música que atrai mais gente...
ALCINA GONÇALVES - Atrai mais gente, mas para aqueles que dizem que temos actividades elitistas, eu pergunto: e no passado, o que havia? Gostaria de dizer que estamos a pensar em dedicar um canto ou uma sala da Biblioteca Municipal à temática inesiana, de forma a que qualquer pessoa que queira estudar Inês possa encontrar lá este tema.

TINTA FRESCA - Que projecto gostaria de iniciar no próximo mandato, se for reeleita?
ALCINA GONÇALVES - Há um assunto que, seja com este ou outro Executivo, é preciso tratar ao nível da Cultura: a criação de um Arquivo Municipal. Poderá albergar não apenas o arquivo normal da Câmara, mas também os arquivos históricos. Tudo o que temos do fundo local está na Biblioteca Municipal e esse é o grande desafio, além dos museus.


         Mário Lopes

26-08-2005
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