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Edição Nº 132 Director: Mário Lopes Sábado, 29 de Outubro de 2011
Opinião
O que nós não temos mas podemos ser
    


António Honório

Secadas as lágrimas e enxugado o nariz, agora que já sabemos que seremos pobres nos próximos anos, temos duas opções:
i. Usamos o tradicional desenrascanço para viver com menos, sem ambição, e, tal como uma cana ao vento, vamos balançando ao sabor da inércia nacional e internacional;
ii. Usamos um desenrascanço inovador, e tentamos crescer no nosso país com ambiçao.

   Sinceramente, creio que ser pobre, sobretudo de espírito, nao deve ser plano para ninguém.
Crescer, amadurecer e produzir sao as metas que, alcançadas em conjunto, levam uma economia a desenvolver-se. Nesse sentido, e sem ideias de ser salvador da pátria, gostaria de apresentar 10 ideias para que todos os portugueses possam contrariar as expectativas, crescer como um todo, e provar a todos os que dizem mal dos povos do Sul que o que os move é a inveja e não um sentido critico construtivo.

1. Comprar português, ajuda a economia nacional e faz com que a riqueza, o dinheiro, fique dentro do pais. Nao se esqueça que a moeda é o lubrificante da troca, vale pelo que permite adquirir, e se estiver a manter o emprego do seu vizinho está a contribuir para que ele mantenha o seu. Descubra Portugal! Nao tem nada de mal em ir ao centro da cidade comer um pastel de nata: acaba por ser um investimento, se a farinha e os ovos forem portugueses! Compre português e exija produtos que comprem português, também!


2. Nao pedir créditos para comprar bugigangas, faz com que o dinheiro que esteja em circulaçao seja usado em coisas construtivas, que gerem riqueza. Se pedir dinheiro para ir de férias, claro que tem direito, mas tente pedir dinheiro para ir para uma pousada na Beira, e não para um resort no sul de Espanha. Vá de Expresso até à cidade e divirta-se. Vá passear à praia: as melhores coisas desta vida são grátis, e estão em Portugal!


3. Gerir o orçamento familiar, tente fazer uma folha de cálculo ou um pequeno livro preto, ou umas folhas e escreva o dinheiro que tem, as despesas fixas que tem, e tente sempre prever um imprevisto. No fim, não gaste o excedente todo num jantar! Guarde sempre algum, porque o amanhã não tem que ser negro, mas nada garante que seja rosinha.


4. Poupe!, poupar nao é, de repente, deixar de comprar: é comprar com inteligência, e tentar com que todas as coisas tenham o melhor valor possivel pelo dinheiro que valem. Poupar nao é evitar gastar, poupar é gastar o necessário, comparar custo-beneficio, e racionalizar: nao comer bifes todos os dias (faz colesterol), mas se calhar a fruta, ainda que mais cara que as bolachas, permite poupar em despesas com saúde.

5. Trabalhar melhor, recordando que o trabalho é um direito, mas nao é adquirido nem eterno. O seu salário nao surge por artes mágicas do chão, e vem directamente do desempenho da sua empresa. Nao vale a pena trabalhar horas a fio se não está a produzir bem. Tenha brio naquilo que faz e orgulhe-se, tanto de gerir contas em empresas como limpar bem os lavabos das mesmas: todos devemos ter orgulho no que fazemos e almejar sempre melhor!


6. Cultura cívica e do trabalho, cultura do não, cultura do chega! Diga aos seus filhos que não há, que não dá, ensine-os a poupar e a trabalhar! Um trabalho de Verão não faz mal a ninguém, Portugal tem imenso sol, irem para a rua fazer voluntariado não custa, não dói, e ensina a ter responsabilidade! Existe vida na internet para além de pornografia e compras online: procure associaçoes, ajude, diga aos filhos que todos temos que fazer pela vida, tal como toda a gente!


7. Seja compreensivo, ajude o próximo, ajude os colegas, e nao pense que os patrões só tramam a vida às pessoas! Ajude a sua firma, ajude o próximo para ser ajudado. Mas seja exigente: pergunte se os produtos que consome nos cafés são portugueses (prefira café de marcas nacionais). Faça campanha pelo seu pais, e prefira a praça ou produtos de marcas nacionais.


8. Economize recursos, coisas tão simples como televisão, telefones, combustíveis e água. Pense que o petróleo é importado, pegue nos seus vizinhos e vão todos passear! Use os transportes públicos, use os pés, e caminhe! Valorize o princípio de que o dinheiro nao é de quem o ganha, é de quem o poupa! Por isso, redescubra que os pés nao servem só para carregar no acelerador, também servem para andar, pedalar e caminhar.


9. Aprenda a nao olhar para o lado, tendo em conta que a cada qual o seu. A crise toca a todos, e todos têm que lidar com ela. Tentar demonstrar que a crise passa ao lado de nossa casa é ridiculo e perigoso. Tentar ter mais que o vizinho, tentar ser melhor do que o vizinho nao é saudável: investir para construir uma piscina para toda a família é salutar, limpar o campo para a freguesia jogar, é salutar! Partilhar os frutos é salutar: em suma, uma cultura de solidariedade e compreensão, menos individualista, deve ser a resposta.


10. Pague os seus impostos!, eu sei que dói. Dói a todos! E a carga fiscal neste momento em Portugal é praticamente insustentável: todos nós somos culpados por a ter. É verdade. Mas se todos pagarmos, se todos contribuirmos, podemos com consciência dizer que já pagamos, e queremos ver os nossos impostos bem aplicados, e ter o retorno do que pagamos. 

   No estrangeiro, os portugueses são especialmente bem vistos como excelentes profissionais, e pessoas sempre aptas. No estrangeiro, os portugueses são invejados pelas suas capacidades. No estrangeiro, a vida nao é facilitada como em Portugal se pensa, e ninguém escapa ao destino de ser português. Este evento, esta crise é a oportunidade que todos nós temos para crescer, para repensar o nosso futuro, e para fazer pela vida, porque o Estado... o Estado já lá vai! E quanto mais aprendermos a cuidar de nós, enquanto sociedade, menos o Estado tem que interferir! 

   Não há almoços grátis. Nem jantares. Nem lanches, nem nada do género: tudo se paga! E todos nós devemos ter isso em consideração. Aproveite esta crise para crescer um pouco, desenvolver horizontes e pensar que as oportunidades aparecem, mas também se criam. Juntos, todos os portugueses, por um Portugal melhor! 

   António Honório
Analista financeiro
29-10-2011
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