Google
Mantenha-se actualizado.
Subscreva a nossa RSS
Twitter Tinta Fresca
O PS merece ter maioria absoluta nas eleições legislativas?
Sim
Não
Não sei / talvez
Edição Nº 220 Director: Mário Lopes Segunda, 4 de Março de 2019
Opinião
Liberdade para manifestar opinião
   
                     César Santos
A declaração universal dos direitos humanos de 1948 - a que Portugal aderiu serodiamente em Novembro de 1976 - não é o bastante para assegurar, nem a opinião, nem tão pouco a liberdade de expressão. Estamos no final do primeiro quintil do séc. XXI, e a Constituição da República Portuguesa (CRP) é insuficiente para garantir o “direito de exprimir e divulgar livremente” pensamentos, ou mesmo o “direito de informar, de se informar e de ser informados”. A censura transforma-se e a singularidade de pensamento torna-se tão rara quanto a tolerância ao diferente. Importa avaliar eventuais consequências nefastas de “pensar fora da caixa”.

    Em 1976 o art. 37 da CRP propunha a erradicar a censura prévia e garantir o acesso à informação, assente numa comunicação social plural. Esta primavera da nossa existência coletiva propunha centrar a essência do debate na troca e confronto de ideias, muitas delas precursoras de ideias novas, que nos empurravam da nossa zona de conforto. Mas hoje vivemos no ex post facto: a censura acontece posteriormente! Num mundo digital, em que tudo pode ser eterno, a censura posterior vive e cresce alimentando-se da indiferença, e do medo de ser …censurado!

    Todos gostamos de afirmar a nossa tolerância, pelo menos até ouvirmos o que não gostamos, ou o que não entendemos. Queremos falar e ser ouvidos. Educamos os nossos filhos para falar, até em várias línguas, mas esquecemos a importância do ouvir, de analisar e pensar. A falta de tolerância à diferença limita a coragem de pensar e afirmar no singular. A proliferação de meios de comunicação - da televisão por cabo à televisão digital, do Youtube à Netflix, dos blogues aos podcast, das redes sociais aos jornais digitais - levar-nos-ia a deduzir uma multiplicação de correntes de pensamento, no entanto, é exatamente o inverso! A procrastinação de pensar alia-se ao conforto da corrente dominante e tornamo-nos apenas emissores, ou melhor - retransmissores.

    O respeito pela opinião - sobretudo para com a que não concordamos - é a primeira grande obrigação para a nossa existência democrática. Se a opinião tem consequências negativas, e gera insultos, ódio e violência, então não estão criados requisitos para podermos exprimir livremente os nossos pensamentos e ideias. E isto é uma forma de censura. É preciso assumi-lo individual e coletivamente, sinalizando esta enorme falha no nosso modelo de sociedade. Uma comunidade incapaz de assegurar condições para a o exercício do livre pensamento, está cerceada na sua evolução.

    Em consequência os novos modelos de centros de poder, muito baseados na comunicação em massa, e por maioria de razão nas redes sociais - que há muito superaram a comunicação social - são usados como novas formas de censura. Seja pela condenação e insulto, seja pelo ofuscar quantitativo de uma opinião dominante, ou até pela invenção de notícias e factos com o objetivo de “assassinar” carateres, o pensamento divergente é hostilizado.

A nossa incapacidade de proporcionar - enquanto sociedade - condições para os cidadãos poderem livremente expressar a sua opinião, sem consequências negativas, é um retrocesso civizacional.

    César Santos
04-03-2019
« Voltar

Comentários

Nome:*
Email:*
Comentário:*

* Obrigatório
Ao comentar aceita automaticamente a
política de utilização deste portal.
Para que o seu comentário seja válido deve preencher todos os campos acima indicados como obrigatórios. O email é usado apenas para efeitos de verificação e não será exibido com o comentário. Os comentários deste portal são moderados, pelo que são sujeitos a verificação antes de serem publicados. Não serão aceites comentários de carácter insultuoso, discriminatório, racista ou spam.
Pesquisar
Ed. Anteriores
Contactos
Newsletter
 
Cartas ao Director
Blogue Tinta Fresca
Blogues
Sítios Úteis
 
OPINIÃO
Festivais de Verão 2019 – Centro e Sul de Portugal
Liberdade para manifestar opinião
César Santos
A importância do Exame Médico Desportivo
Dr. Manuel Portela
Parque de auto caravanismo e passadiços de S. Martinho do Porto
Carlos Bonifácio
 

Projecto Co-Financiado por  Promotor  Desenvolvimento
Acessibilidade [Alt + D seguido de ENTER] D  POS_Conhecimento
FEDER União Europeia
FEDER
Associa��o de Munic�pios do Oeste Makewise - Engenharia de Sistemas de Informa��o