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Edição Nº 77 Director: Mário Lopes Quinta, 1 de Março de 2007
Concurso “7 Maravilha Portuguesas”
O Mosteiro de Santa Maria da Vitória – Batalha

     


Júlio Órfão

O homem, neste seu efémero peregrinar, assume-se como um factor preponderante na feitura da História, ao deixar marcas, ao construir monumentos representativos da sua visão do mundo, que lega ao futuro como memória do seu tempo. Ora o sumptuoso Mosteiro de Santa Maria da Vitória, ou Mosteiro da Batalha como vulgarmente é conhecido, é uma dessas marcas e quer seja apreciado sob o ponto de vista arquitectónico, ou considerado pelo seu lado histórico, impõe-se como um dos principais monumentos nacionais e, seguramente, o mais significativo do gótico em espaço português.

 

      Iniciada a sua construção no período final do século XIV o gótico lavrado nas pedras calcárias do monumento reflecte não apenas a expressão plástico-arquitectónica de um acontecimento histórico marcante, ou seja a consolidação da independência nacional após a vitória em Aljubarrota, sobre os castelhanos, em 1385, mas também  a política de alianças entre Portugal e a Inglaterra, génese da dinastia de Avis. A especificidade artística do Mosteiro releva dessa simbiose entre correntes artísticas europeias e portuguesas do gótico flamejante. Horizontalidade construtiva, verticalidade das linhas arquitectónicas, decoração rendilhada própria do manuelino que aqui nasceu e vitrais quinhentistas caracterizam a monumentalidade da Batalha e conferem-lhe um estatuto único no panorama da história da arte portuguesa e mesmo mundial.

      Visitar e conhecer o Mosteiro da Batalha é fazer uma viagem única pela História, através dos vários estilos artísticos, sentindo os vestígios de múltiplas vivências seculares, consubstanciadas muitas delas nos frades pregadores ou dominicanos.

      Os vitrais medievais, aqui praticados pela primeira vez em Portugal, colorem a luz e difundem-na, criando uma atmosfera espiritualmente simbólica. Os grandes feitos marítimos são aqui lembrados, através dos rendilhados profusos do manuelino.

      O gótico, ora se manifesta na luz, na verticalidade, na sensação de ausência de gravidade, ora nos arcos de ogiva, nas abóbadas, na interdependência entre arte, ideologia e espiritualidade.

      A Capela do Fundador acolhe o monarca fundador D. João I e sua esposa Filipa  de Lencastre bem como os seus filhos – a “Ínclita Geração” o que levou o poeta leiriense Afonso Lopes Vieira a afirmar que o Mosteiro é o monumento onde “mais Pátria há”.

      Na Sala do Capítulo estão sepultados os soldados desconhecidos, símbolo de todos os soldados portugueses mortos na I Guerra Mundial e nas campanhas de África.

      As Capelas Imperfeitas fascinam pela sua designada imperfeição.

      Os claustros convidam ao silêncio, à meditação e à contemplação...

      Por tudo isto e, por outros belos detalhes que não cabem nas palavras, mas sobretudo por ser uma obra-prima do génio criativo da humanidade, catedral de luz que poisa na Batalha e se ergue ao infinito dos céus, o Mosteiro da Batalha foi inscrito, em 1983, na Lista do Património da Humanidade e, certamente, será eleito como uma das “7 Maravilhas Portuguesas”. Assim seja!...

      Júlio Órfão
Director do Mosteiro da Batalha

 

01-03-2007
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