Google
Mantenha-se actualizado.
Subscreva a nossa RSS
Twitter Tinta Fresca
Leiria tem condições para ser Capital Europeia da Cultura?
Sim
Não
Não sei / talvez
Edição Nº 17 Director: Mário Lopes Sexta, 31 de Março de 2006
Em viagem da Nazaré para Santarém
Domingos Soares Rebelo: "S. Francisco Xavier esteve em Turquel"

Domingos Soares Rebelo 

Domingos Soares Rebelo foi o conferencista convidado pela Associação de Defesa do Património de Turquel (ADEPART) para falar sobre a vida e obra de S. Francisco Xavier, o missionário que se distinguiu pela sua obra social e evangelizadora, sobretudo, na Ásia. Natural de Goa, Soares Rebelo reside em Alcobaça há quase duas décadas, sendo economista, escritor, poeta e historiador. Há 50 anos que se dedica ao estudo da temática Xaveriana.

A conferência organizada pela ADEPART foi integrada na inauguração da exposição Xaveriana , no dia 10 de Março, na Casa da Música. Esta data celebrou também o 380º aniversário da canonização de São Francisco Xavier e dos 462 anos da sua passagem por terras de Turquel. Até 24 de Março, estará patente ao público um valioso espólio constituído por bibliografia da autoria, sobretudo, de Domingos Soares Rebelo e uma colecção de postais relativos ao santo.

Presentes nesta inauguração, estiveram Joaquim Guerra, ilustre turquelense a quem coube a apresentação do conferencista, o padre Siopa, o padre Cosme e os não menos importantes representantes dos órgãos sociais da ADEPART, Mário Louro, Acácio Ribeiro e António Fraga de Oliveira, entre o muito público que encheu a sala do Museu Etnográfico de Turquel.

São Francisco Xavier: uma vida dedicada
à caridade e evangelização

Padres Siopa e Cosme, Soares Rebelo
e Joaquim Guerra
 

Francisco Xavier nas-ceu no Castelo de Xavier, em Navarra, Espanha, a 8 de Julho de 1497. Em 1515, morre-lhe o pai. Formou-se como Bacharel e depois como Mestre em Filosofia, em 1536, na Sourbonne, em Paris. Fundou com Inácio de Loiola e Simão Rodrigues, seu colega em Paris e fundador do Colégio das Artes em Coimbra, a Companhia de Jesus. Realizou três peregrinações pela Europa, a última das quais entre Roma e Lisboa, a caminho da Índia.

A pedido do rei D. João III de Portugal, os padres jesuítas Simão Rodrigues e Nicolau Bobadilha são escolhidos em Roma para irem ao Oriente em missão evangelizadora. Contudo, Nicolau Bobadilha adoece no caminho entre a Calábria e Roma, e o Padre Inácio de Loiola escolhe, em 16 de Março de 1540, S. Francisco Xavier para acompanhar Simão Rodrigues, na viagem por via marítima à Índia.

Xavier parte de Roma para Lisboa por via terrestre, jornada que se revela longa e penosa. Finalmente chega a Lisboa em 23 de Junho de 1540, onde se junta ao padre Simão. Apesar do acolhimento caloroso da Corte, recusam o conforto e refugiam-se no Hospital de Todos-os-Santos, onde servem os enfermos, incapacitados e pobres.

Antes de seguir para Goa, Xavier vai em peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, em finais de 1540 e início de 1541. Na sua viagem de regresso a Lisboa, via Santarém, passa por Alcobaça e pernoita em Turquel, no edifício onde hoje se encontra implantada a Igreja do Senhor Jesus do Hospital e que possui uma estatueta do santo.

António Fraga de Oliveira
da ADEPART
 

Este relato baseia-se na tese defendida pelo cónego Manuel Luís, natural de Turquel, numa conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa. Também Soares Rebelo defende a tese no seu livro "A Passagem de um Varão Santo por Turquel (São Francisco Xavier em 1540-1541)". Contudo, não existe nenhum documento que comprove esse facto, sendo apenas transmitido através das gerações pela tradição oral. Apesar disso, Soares Rebelo acredita que se trata de um facto verídico e não de uma lenda.

No seu regresso da Pederneira para Santarém, terá passado por Alcobaça e Turquel. Soares Rebelo defende que a passagem do santo por Turquel se deve ao facto de existir uma albergaria na vila, onde terá pernoitado.

Xavier partiu de Lisboa a caminho da Índia em 7 de Abril de 1541, na companhia de outros dois jesuítas. A chegada a Mormugão, em Goa, deu-se a 6 de Maio de 1542, depois de ter passado seis meses na Ilha de Moçambique, onde se dedica também à caridade e evangelização. Parte depois, sucessivamente, para a Costa de Pescaria, Malaca, Molucas e Kagoshima, no Japão, onde se admite ter havido 2 milhões de cristãos. Regressa a Goa, novamente a Malaca e parte para Sanchoão, na China. Aí, morre em 2 de Dezembro de 1552, depois de ter sofrido uma recaída.

S. Francisco Xavier foi sepultado três vezes, em Sanchoão, Malaca e Goa, respectivamente. Segundo Soares Rebelo, o santo terá feito uma média de 46 quilómetros por dia durante as suas peregrinações, o equivalente a 13,5 voltas ao Equador. Ainda segundo o historiador, o santo fez ressuscitar 68 mortos, curou paralíticos e cegos. Existem mais de 300 monografias sobre a vida e obra de S. Francisco Xavier. Foi canonizado em 1662, pelo Papa Gregório XV.

O culto a S. Francisco Xavier

 Os lendários pés de S. Francisco Xavier

Soares Rebelo refere que, aquando da cano-nização de Xavier, houve grandes festejos em Lisboa e outras capitais europeias. Em 1704, o santo foi oficialmente proclamado protector de Setúbal. O culto Xaveriano existe também na vila da Nazaré, onde existe uma Travessa S. Francisco Xavier, no Sítio. Soares Rebelo explica a não existência do culto a S. Francisco Xavier em Alcobaça pelo facto de a Ordem de Cister não simpatizar com os jesuítas, o que explica que não tenha ficado o culto Xaveriano.

O investigador lamenta também que Santarém tenha ignorado o santo, não constando o seu nome sequer de uma rua ou travessa, apesar de ter lá trabalhado como obreiro social e evangelizador. Soares Rebelo assinala apenas uma referência ao santo no antigo Colégio Jesuíta de Santarém. De referir ainda que em 1990/1991 foi feita a evocação da Peregrinação de Xavier aos pés de Nossa Senhora da Nazaré, por ocasião do 450º aniversário deste acontecimento.

Padre Cosme: a homenagem
     aos turquelenses ilustres

Padre Cosme 

Aproveitando a deixa de Soares Rebelo sobre a hipótese de o santo passar a fazer parte futuramente da toponímia de Turquel, o pároco de Turquel anunciou ir propor à comissão instaladora do futuro lar de terceira idade/centro de dia/centro de apoio domiciliário o nome de S. Francisco Xavier para esta instituição de apoio social.

Contudo o padre Cosme foi mais longe e propôs também o nome do turquelense Silvério Luís - músico, compositor e regente de orquestra- para ser atribuído à Casa da Música, onde se realizou a conferência e se situa o Museu Etnográfico de Turquel bem como a sede da Sociedade Filarmónica Turquelense. Finalmente, ficou a sugestão de se fazer uma conferência sobre o padre Dr Manuel Luís, autor de música litúrgica, conhecida em todo o País. O padre Cosme recordou também as suas aulas de Arte no Seminário Maior dos Olivais, onde o cónego Manuel Luís revelou toda a sua erudição e sensibilidade.

Soares Rebelo: um goês em Alcobaça

Conferência sobre S. Francisco Xavier  

Domingos Soares Re-belo nasceu em Margão, em Goa, em 1916. Licenciou-se em Inglês pela Universidade de Bombaim, tendo passado depois por Lisboa e ido leccionar em Mombassa, no Quénia. Contudo, acabou por se fixar em Moçam-bique, onde foi funcionário da embaixada americana durante 32 anos. Após a independência do território, regressou a Portugal fixando-se em Alcobaça em 1978. Publicou 8 livros, dos quais cinco deles já em Alcobaça.

Publicou também inúmeros trabalhos sobre temáticas diversas na imprensa local. Proferiu ainda cinco conferências, sendo três sobre a temática Xaveriana e duas de historiografia local, uma das quais sobre Turquel. É sócio do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, da Associação Cultural dos Amigos de Goa, Damão e Diu e da Academia Social e Cultural de Alcobaça.

Mário Lopes

31-03-2006
« Voltar

Comentários

Nome:*
Email:*
Comentário:*

* Obrigatório
Ao comentar aceita automaticamente a
política de utilização deste portal.
Para que o seu comentário seja válido deve preencher todos os campos acima indicados como obrigatórios. O email é usado apenas para efeitos de verificação e não será exibido com o comentário. Os comentários deste portal são moderados, pelo que são sujeitos a verificação antes de serem publicados. Não serão aceites comentários de carácter insultuoso, discriminatório, racista ou spam.
Pesquisar
Ed. Anteriores
Contactos
Newsletter
 
Cartas ao Director
Blogue Tinta Fresca
Blogues
Sítios Úteis
 
EDITORIAL
Savimbi, Angola e a Paz
OPINIÃO
The Gift, na página do relâmpago eléctrico *
Aeroporto da Ota: a insustentável leveza de uma decisão
 

Projecto Co-Financiado por  Promotor  Desenvolvimento
Acessibilidade [Alt + D seguido de ENTER] D  POS_Conhecimento
FEDER União Europeia
FEDER
Associa��o de Munic�pios do Oeste Makewise - Engenharia de Sistemas de Informa��o