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| “Pelo interesse público” – balanço do meu mandato |
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António Salvador
Vou separar este Mandato em duas fases. A primeira fase está marcada pela novidade do contacto com os assuntos e com as práticas de gestão pública preexistentes no Município e pela tensão política que se gerou no executivo, com a nova presença de dois vereadores independentes eleitos num grupo de cidadãos. A segunda fase fica marcada pela mudança e pela estabilidade que se gerou a partir de uma nova solução para o governo do Município.
No entanto, antes de mais, creio que é importante lembrar a todos o contexto e a sequência de factos que estão na origem da actual situação.
Antes das autárquicas de 2005, como normais militantes, o Sr. Mário Sousinha e eu próprio éramos, respectivamente, o presidente e o vice-presidente da Mesa do PSD da Nazaré. Um belo dia, como aconteceu várias vezes no passado, foi feito um autêntico assalto à Secção do partido para que o senhor de sempre (Reinaldo Silva) viesse a garantir a sua presença na lista à Câmara Municipal. Essa situação revoltou-nos e levou a que, mais tarde, nos tivéssemos unido a outros cidadãos (grupo de independentes), concorrendo às últimas eleições autárquicas, eu como 2.º da lista à Câmara (secundando o Sr. Trindade) e o Sr. Mário Sousinha como 1.º da lista à Assembleia, e concorrendo a todos os órgãos.
O resultado foi bom. Fomos a 2.ª força política do Concelho, com 2 vereadores e 5 deputados municipais. Mas, para nós, foi sobretudo importante permitir aos militantes, simpatizantes e demais pessoas que preferem e votam no PSD (descontentes com o partido local), dar uma alternativa para se sentirem representados. E muitos votaram na lista de Independentes, por este e por outros motivos, congregando um amplo leque de pessoas e de sensibilidades.
Com o tempo, claro que há quem queira esquecer que os resultados eleitorais dos Independentes resultam da presença de muitas sensibilidades políticas e pessoas (incluindo a nossa). Houve muitas pessoas que, sabendo desse assalto ao PSD/ Nazaré, não votaram no partido e isso viu-se na descida eleitoral do PSD, a par da forte descida do PS, a favor dos Independentes (onde até votaram militantes do PSD). É um facto que não deve ser esquecido. Não podemos só olhar para a conveniência de cada um…
No inicio do Mandato, desde muito cedo que achei que as pessoas eram muito diferentes, mas que não podiam estar em desacordo nos objectivos e que, por isso, apesar da enorme crispação e do evidente conflito pessoal, acabaríamos por nos entender e por colocar a defesa do interesse da população acima de tudo. Mas enganei-me.
Afinal, à medida que o tempo foi passando, tornou-se muito evidente o interesse pessoal em estar no poder, o conflito, as acusações pessoais… o estar contra tudo… Um cenário que me entristeceu. Não defendia isso. Comecei a tentar moderar algumas posições e atitudes. Sem sucesso. Alguns estavam muito motivados nessa oposição e contradição permanente. Viviam-se dias difíceis no executivo.
A meio do mandato, quando o presidente Jorge Barroso retirou os cargos a Reinaldo Silva, este mudou de cadeira, de posição e de “amigos” e adversários, mas não de atitude (passa a elogiar quem antes acusava e vice-versa). Perante tanto conflito, acabei por me sentir enganado nas posições que já vinham “concertadas de casa” por alguns vereadores da “oposição” (já na ausência de João Benavente e com autonomia de Vítor Esgaio), incluindo o Sr. Trindade, tendo eu sido excluído desde logo, provavelmente por saberem que não concordo com certas situações). Acabei por me sentir traído e suspender o mandato, para respirar um pouco e me afastar de tais comportamentos. Nessa altura, chegou a ser feito o desafio de fazer cair a Câmara, mas quem o queria não teve coragem de o assumir.
Depois de reflectir durante um mês, decidi voltar ao executivo porque não estou habituado a virar as costas às pessoas e porque “dei a cara” e quis cumprir a responsabilidade que assumi perante a população. E tentei criar condições para que o mandato assumido fosse até ao fim, defendendo o que tinha que defender, com base nos meus princípios e no interesse para a população, não pactuando com os jogos políticos de alguns que dizem publicamente que farão tudo para estar no poder (mas tudo mesmo!?). Até assusta…
Foi então que me concentrei em defender o essencial: concretizar e executar os “grandes projectos” que a população do Concelho da Nazaré deseja há muito tempo e que estavam no Programa Político que defendi (e que, como devem calcular, é muito parecido, nos objectivos, com o de outras forças políticas, especialmente o do PSD).
Esse facto acabou por levar o presidente da Câmara a convidar-me para ajudar a concretizar os “grandes projectos” e levou a que se tenha criado um “espírito de equipa” entre o presidente Jorge Barroso, a vereadora Mafalda Tavares, o vereador Pires e o vereador António Salvador, pois estamos unidos em torno de objectivos públicos comuns, e isso está a ser muito importante para garantir o desenvolvimento e concretização desses projectos e obras, incluindo na imagem de credibilidade que temos dado aos investidores privados e que é precisa para investir no nosso Concelho.
Por isso, há pouco mais de 1 ano, assumi o pelouro do Ordenamento do Território e Urbanismo para coordenar e criar condições para se poderem concretizar estes investimentos e obras tão importantes para a população do Concelho e que irão criar muitas empresas locais relacionadas com estes sectores de actividade e muitos postos de trabalho.
Apesar das dificuldades e da crise, o interesse comum tem permitido que avancem os “grandes projectos” (uns mais antigos, como a Área Empresarial do Valado dos Frades, a Marina da Nazaré e o Resort do Golfe, a que se veio juntar o Teleférico, e outros mais recentes na sua forma e conteúdo, como a requalificação da Marginal ou a regeneração do Centro Urbano da Nazaré, incluindo o novo Mercado Municipal, os novos Paços de Concelho, um edifício de comércio e serviços/ hotelaria, a par da reabilitação da área urbana envolvente ao centro).
Entretanto, pelo nosso empenho e para felicidade nossa (e de toda a população!), aos projectos já referidos, no último ano, e apesar da crise, veio juntar-se o grande projecto do Hospital privado israelita, investimento que irá permitir reforçar a estratégia de desenvolvimento que estamos a seguir com muita coragem e determinação.
Lamento que muitos vão dizendo durante muitos anos que estão interessados em desenvolver alguns destes projectos, mas que, na hora da verdade, e de assumir essa vontade nas votações, acabam por votar em abstenção ou a favor com os motivos mais incríveis que possamos imaginar, tudo porque os interesses pessoais e partidários se sobrepõem (!?).
A estabilidade que se criou neste último ano e meio de mandato, na Câmara com a minha presença e do Sr. Pires, e na Assembleia Municipal com o Sr. Mário Sousinha, tem sido fundamental para poder concretizar estes projectos que eu acredito serem muito importantes para a nossa população e para o nosso concelho.
Estamos muito empenhados em defender os interesses da população e em fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para ter sucesso, cativando investimentos para criar postos de trabalho e fazendo grandes obras que vão permitir melhorar a economia e as condições de vida da população. Nada mais é importante. Nada mais me interessa.
A Câmara da Nazaré tem em curso, além da reabilitação de várias ruas e vias públicas, da nova Biblioteca Municipal, e de outros processos mais discretos:
- Centro de Alto Rendimento do Surf para a Praia do Norte (obra adjudicada);
- 3 Centros Escolares: Nazaré, Valado dos Frades e Famalicão (muitos milhões em obras de educação);
- Casa Mortuária da Pederneira (obra em curso) e Recifes Artificiais (espera pela candidatura);
- Área Empresarial/ Industrial do Valado dos Frades (inclui a zona desportiva/ campo de futebol);
- Centro Urbano (novos Paços de Concelho e Mercado Municipal, áreas comerciais, Tribunal, parques de estacionamento e reabilitação urbana e comercial e (concurso a lançar);
- Requalificação da Marginal com parque de estacionamento e plano de praia (em preparação);
- Nazaré XXI – Complexo Turístico da Marina e do Golfe (concurso efectuado);
- Teleférico Nazaré/ Pederneira (adjudicado e obra para muito breve);
- Hospital privado israelita (com 250 camas e 500 postos de trabalho).
São factos. Como nazareno, sinto-me bem em fazer deste processo de desenvolvimento, fruto do trabalho colectivo e participado por várias pessoas, de várias sensibilidades, unidas em torno de objectivos públicos maiores.
Os valores ideológicos e os interesses corporativos podem ser importantes (para alguns) mas as pessoas são muito mais importantes do que os partidos!
Defendo a união e a conjugação de esforços de quem queira trabalhar, com dedicação, para fazer estas e outras obras para as pessoas da nossa terra. É por isso que quero combater!
É por isso que, apesar de ter apenas 1 ano e meio até final do mandato, entendo que tomei uma boa decisão ao abraçar a causa pública e o interesse de toda a população e por colocar estes projectos e obras no terreno, sendo coerente com o Programa que defendi nas eleições.
A estratégia e o caminho estão traçados. As obras estão em marcha e falarão por si.
António Salvador
Vereador da Câmara da Nazaré
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| 05-07-2009 |
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