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Edição Nº 121 Director: Mário Lopes Segunda, 1 de Novembro de 2010
Opinião
Não percebem!
    


Aurélio Lopes

   Durante vinte anos a defunta Região de Turismo do Ribatejo ficou conhecida pela realização anual do Festival de Gastronomia de Santarém (o pai de todos os festivais gastronómicos) que repôs Santarém no mapa turístico nacional, sem que daí, contudo, viessem a advir substanciais vantagens não só para a gastronomia regional como para a própria urbe escalabitana.

   Fechado sobre si próprio, o Festival de Gastronomia nunca conseguiu a ambicionada relação simbiótica com a cidade onde se realiza e que constitui, afinal, a entidade determinante na sua organização.
   Enquanto tal acontecia e com muito menos badalação (e dedicação institucional, já agora), em grande parte por acção de Bertino Coelho Martins (na altura, ligado à mesma), a Região de Turismo do Ribatejo promoveu a organização de oito Congressos de Folclore e Etnografia do Ribatejo em diversos concelhos da Região.

   Congressos, dos quais resultaram os indispensáveis fóruns de debate e, mais importante ainda, um conjunto de edições, consubstanciado em mais de uma centena de estudos publicados. Estudos de antropologia, musicologia, etnografia e história local, numa região, até aí, extremamente carente deles!
Estudos que constituem, ainda hoje, um acervo documental como nunca tinha existido!
   Mais que os debates e comunicações aí apresentados, foram deste modo as publicações, a herança maior deixada pelos congressos do Ribatejo às novas gerações, bem como aos estudantes e investigadores. Não admira, assim, que estas constituam as obras mais consultadas nas bibliotecas municipais da Região que têm o privilégio das possuir!

   Em 2007 realizou-se, na Azambuja, o último Congresso de Folclore e Etnografia do Ribatejo. Como habitualmente, foi assumido pela Região de Turismo do Ribatejo o compromisso da edição das actas e comunicações aí apresentadas. Já sem Bertino Martins, o compromisso foi-se diluindo. Com a constituição da Entidade Regional de Turismo, fez-se de conta que não existia! Edição que, esclareça-se, face ao orçamento da ERT, constitui um quantitativo mixoruca, quase vestigial.
Contactada por mais de uma vez, a tal entidade (que parece alheia à valorização das identidades) tem feito ouvidos de mercador!

   Entretida, com certeza, nas suas guerrilhas salariais internas. Esgotadas, provavelmente nas lides gastronómicas e afins, as suas, pelos vistos, incipientes energias!
Não percebem, ou não querem perceber, que aquilo que desvalorizam é, afinal, a cultura tradicional portuguesa, de que a tal gastronomia (tão mediática no “reino de sebastiões” que somos) é, apenas, uma pequena parte.

   Não percebem que é o conjunto das nossas raízes culturais tradicionais que nos fazem ser o povo que somos! É o todo que, até por definição, é mais que a soma das partes! De todas!

   Não percebem, que numa participação cada vez mais menorizada na Europa, são as matrizes culturais um dos poucos domínios que podemos apresentar ao nível dos nossos parceiros europeus.

   Não percebem que o próprio turismo (de que é suposto serem promotores) é cada vez mais cultural: chamemos-lhe patrimonial, rural, religioso, étnico, etc.

   Assente em dimensões tangíveis e intangíveis, mas, de uma forma ou doutra, radicando na matriz tradicional.

   Aquilo que os grupos de folclore, as associações de defesa do património cultural e instituições afins, melhor ou pior, pretendem defender.

   Aquilo que vocês em grande aparte desprezam ou, pelo menos, menosprezam.

   Agentes turísticos, que são, que só promovem aquilo de que gostam e os promove e, só gostam de promover aquilo que conhecem e lhes dá jeito.
E conhecem tão pouco!

   Enfim! Com dirigentes destes não admira estarmos onde estamos! Na cauda de uma Europa a várias velocidades, na última carruagem do desenvolvimento, em perigo eminente de descarrilar. No “cu de judas”, afinal!

   Aurélio Lopes, Bertino Martins, Ludgero Mendes, Luís Nazaré, Manuel João Barbosa, Manuel José Menino
01-11-2010
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Comentário de penteacrinus penichensis
04-11-2010 às 13:52
Concordo. O grande mal deste país é a falta de confiança em si mesmo, e nos nossos valores e desatar a imitar tudo o que vem de fora como se gastronomia, folklore e cultura portuguesa fossem menosválidos do que muita porcaria que os media nos impingem!
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