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Edição Nº 120 Director: Mário Lopes Segunda, 4 de Outubro de 2010
Alcobaça
Empresários da cerâmica apontam oportunidades e riscos do sector
   

Joaquim Paulo, Carlos Faria, Carla Moreira,
Rui Santos e Octávio Oliveira
A conferência 'Cerâmica - Oportunidades de futuro' decorreu no dia 30 de Setembro, no auditório da Biblioteca Municipal de Alcobaça, numa organização do semanário Região de Cister. As dificuldades do sector, de fundamental importância para a economia da região, como os custos com a mão-de-obra e os factores de produção e as oportunidades de futuro, como o novo design e os novos mercados, foram alguns dos temas abordados nesta conferência. 

   Estiveram presentes Jorge Pereira de Sampaio, historiador da cerâmica portuguesa, que fez uma breve apresentação da história da cerâmica em Alcobaça; Octávio Oliveira, director do CENCAL, e os empresários Carlos Alberto Faria, da empresa Faria e Bento, dedicada à loiça utilitária; Carla Moreira, da Arfai & Igm, e Rui Santos, da Ceramirupe, estas dedicadas à cerâmica decorativa. Assistiram à conferência cerca de 30 pessoas ligadas ao sector. A conferência foi moderada pelo jornalista Joaquim Paulo.

   Carla Moreira agradeceu o convite para participar na conferência, mas classificou-o de “presente envenenado”, uma vez que neste momento tão conturbado quer em termos políticos, quer económicos e, consequentemente, sociais, “se por um lado existem muitas oportunidades e potencialidades do sector, existe igual número, senão mesmo superior, de ameaças e pontos fracos que desalentam os empresários de cerâmica.”

   A empresária recordou que quando iniciou a sua actividade, em 1991, havia muitas empresas a operar sem as mínimas condições nem respeito algum pelos requisitos do cliente, fossem eles de embalagem, prazos de entrega, qualidade do produto ou da simples palavra dada ao cliente no que respeitava à exclusividade, pelo que face a estes incumprimentos que se verificavam e com o aumento das exigências de mercado, foi normal o encerramento de muitas empresas que não se conseguiram adaptar a um mundo novo, de exigência permanente, de resposta na hora, de design e inovação constantes.

   Carla Moreira referiu também que, apesar desta situação, Portugal é nos dias de hoje visto como um dos países que maior conhecimento detém na Europa no que respeita à produção de cerâmica decorativa, uma vez que detém um vasto know-how na produção de cerâmica, conseguindo aliar design, inovação e prestação de um bom serviço ao cliente.

   A empresária considerou o know how uma oportunidades para o sector, “e possuímos flexibilidade para nos adaptarmos a novas realidades, novas técnicas, produtos e rapidamente reagimos perante um projecto novo que nos é apresentado”, bem como a localização geográfica e a produção de produtos personalizados. 

   No entanto e apesar de todas estas oportunidades “o que está a correr mal com o nosso sector?”, questionou a empresária. Segundo Carla Moreira, o problema desta indústria reside no peso da mão-de-obra no produto, cerca de 50%. “Este é o maior custo que enfrentamos e este custo é permanente, apesar do fluxo de encomendas não o ser, temos períodos de uma procura intensa e temos outros de uma acalmia terrível e a maior ajuda que poderíamos ter seria a criação de uma solução que nos permitisse não ter de suportar estes custos fixos, durante aqueles períodos em que comprovadamente não temos procura.” 

   Em relação às principais ameaças do sector, a empresária aponta a desvalorização do dólar face ao Euro, visto que os Estados Unidos foram o principal País de destino dos produtos da empresa. Carla Moreira aponta também a existência de um sem número de produtos alternativos em plástico, resinas, metal, vidros, ferro, madeiras e outros que têm surgido no mercado; os aumentos sucessivos de matérias-primas, nomeadamente, vidros, corantes e cartão e o aumento de 25% na factura do gás natural como ameaças ao sector. 

   A empresária referiu também que as empresas “não suportam mais aumentos de impostos, crises políticas e politiquices”, uma vez que “não conseguem rever os preços em alta neste momento nem num futuro próximo, para fazer face a todos os aumentos a que estamos sujeitos, sob pena de perder definitivamente os clientes que acabam de regressar às compras em Portugal”, explicou.

   Para Carla Moreira o sector da cerâmica necessita de visibilidade, de exposição mediática visto que “são estas guerras que ganham causas, não o número de trabalhadores do sector, não o volume de exportação que todos efectuamos, estes números não dizem nada a quem tem o poder de decisão, o poder de mudar qualquer coisa que venha ajudar as pequenas e médias empresas que constituem a maioria do tecido empresarial português.”

   Carla Moreira apontou como “factor-chave importantíssimo para a sobrevivência” do sector, o associativismo. Apesar de o sector ser representado por uma associação “não lhe tem sido dada a importância que merece e que devia ter” e “se não chamamos rapidamente a atenção para os problemas da cerâmica, eles morrem com as empresas, enquanto aguardamos respostas às nossas demandas.”

   Como oportunidades para o sector, Carla Moreira apontou os novos mercados a explorar como a Rússia e o Brasil. Outra das oportunidades é o associativismo, porque segundo a empresária “por cada empresa que fecha, é o sector inteiro da região que perde, é o peso do sector que perde.” Dar visibilidade ao sector é também uma oportunidade para a cerâmica, apontou Carla Moreira, revelando ainda que é no Continente Europeu, apesar das suas fragilidades, onde o sector detém vantagens competitivas inerentes à proximidade e à reputação de saber fazer bem.

   Por sua vez, Carlos Faria recordou que há “anos atrás não se deram passos importantes para assegurar o futuro” e que desde 1999 que se começou a implementar em Portugal uma crise enorme na cerâmica. Para o proprietário da empresa Faria e Bento, Portugal tem “bons designers, bons produtos e vontade de trabalhar, o que nos permite fazer um produto que traz valor acrescentado”. O empresário afirmou que continua a acreditar no futuro da cerâmica em Portugal” apesar de ser preciso “muita coragem para continuar a apostar neste sector.”

   Já Rui Santos referiu que as empresas sobreviventes têm hipótese do aumentar as suas competências e a sua cadeia de valor, uma vez que há mais mão-de-obra disponível, apesar de sentir que “as pessoas querem estar mais ligadas ao Centro de Emprego.” O proprietário da Ceramirupe apontou também as parcerias entre empresas como uma “óptima solução”, constituindo estas uma boa forma de resolver o problema do excesso de trabalho sazonal.

   Rui Santos aponta ainda como problema do sector “o desinteresse dos jovens pela cerâmica”. Para aquele responsável é necessário motivar os jovens a entrar no sector, mas para isso é “necessário limpar a imagem do sector”, muitas vezes visto como mau pagador. 

   Outra das queixas do empresário é a falta de mão-de-obra qualificada, uma vez que não existem cursos nesta área, correndo a indústria o risco de acabar se este problema não for resolvido.

   Rui Santos apontou como oportunidades a aposta em nichos de mercado, a aposta no desenvolvimento de novos produtos e a sua valorização. Outras das oportunidades apontadas pelo empresário é a aposta na instalação de painéis solares, o que irá ajudar as empresas a suportar os custos de produção. 

   Por sua vez, Octávio Oliveira apontou como dificuldade para o sector a pouca disponibilidade dos trabalhadores se deslocarem para outras regiões. O responsável do Cencal referiu que apenas existe a decorrer no Centro de Formação um curso profissional de Cerâmica Decorativa, estando, no entanto, previstos para 2011 alguns cursos de curta duração. O gestor admitiu assim que a “oferta formativa é escassa mas a possível face à realidade actual”. Octávio Oliveira referiu que outros dos problemas “é a imagem social do sector, para os jovens passa uma imagem que não é atractiva”, que é necessário inverter. 

   Como oportunidades para o sector, Octávio Oliveira apontou a inovação, o design, o conhecimento dos mercados, a qualificação dos recursos humanos, a flexibilidade nas pequenas séries e prazos curtos. Em relação a Alcobaça, o responsável do Cencal referiu que “é importante que se reforce a ligação à história, á arte, à cultura”, através de marcas de Alcobaça, como o mosteiro, monges, Cister, doçaria, entre outros.
04-10-2010
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Comentário de Pedro
24-11-2010 às 11:55
Muito interessante apontarem como sempre o custo da mão dobra como sendo um grande problema , quando todos sabemos que os operários da ceramica muitos com muitos anos de experiencia e com um " saber fazer " notável ganham ordenados ridículos !Queriam era que trabalhassem de borla ! Queriam era pode-los mandar embora quando quisessem ! Falta de mão d´obra qualificada .....quando deixam saír os grandes mestres por reforma ou por procurarem outras oportunidades nuíguem se lembra de "fixar" esse "saber fazer " nas empresas , depois dá no que dá ...... Em resumo muita incompetencia de muita gente do sector que pensaram que a política da mão dobra barata iria reinar para sempre ! Só que Portugal já não tem mão d´obra barata quando comparado com a China ou outros ......
Comentário de Cristiana Bernardes
09-10-2010 às 00:05
O meu feedback sobre este assunto, coloquei em http://ceramicacb.blogspot.com
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