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Edição Nº 75 Director: Mário Lopes Domingo, 31 de Dezembro de 2006
Opinião
O Mosteiro de Alcobaça: uma das Sete Maravilhas www.7maravilhas.pt

   


Rui Rasquilho

O Papa Alexandre III apreciou que o Duque Afonso tivesse oferecido 44.000 hectares do pequeno território português a Bernardo de Claraval.

 

    Por carta de doação de 8 de Abril de 1153, Afonso I e sua mulher entregaram à Ordem de Cister, poucos meses antes da Morte de São Bernardo, um largo território entre a Serra de Candeeiros e o Atlântico que se tornaram nos Coutos do  Mosteiro de Alcobaça.

    O Sumo Pontífice apreciou o gesto que colocava gente cristã no caminho dos árabes e berberes muçulmanos consolidando o território a norte do Tejo.

    Afonso será reconhecido como Rei e Portugal como Reino pela bula Manifestis Probatum de 23 de Maio de 1179 e o Mosteiro foi sendo construído durante gerações de Reis de Portugal até ter a sua área Medieval construída no tempo de Afonso IV, na segunda metade do século XIV.

    Envolvido desde sempre na política do Reino, o Mosteiro  chegou ao século XXI firme, embora com algumas rugas que os homens lhe foram pondo.

      Em 1223, a igreja é consagrada.

      Em 1269, criaram-se pela mão de Frei Estêvão Martins, os estudos monásticos.

      Em 1288, o Abade de Alcobaça e o Prior de Coimbra propõem ao Papa Nicolau IV, a criação dos Estudos Gerais.

      Em 1309, D. Dinis manda edificar o actual claustro e o refeitório.

      Em 1360, D Pedro I determina a construção das arcas fúnebres de D. Inês e sua própria, peças notáveis da tumulária medieval. Tão belas são essas esculturas que contam a vida dos amantes, dos seus santos e da sua religião.

      No tempo do Abade Ornelas, D. João I é ajudado em Aljubarrota e pernoita, depois da vitória, em Alcobaça, aí assistindo às cerimónias do dia de São Bernardo.

      D. Sebastião, menino correu pelo claustro do Palácio Abacial mandado construir por seu tio D. Henrique, último rei antes da monarquia dual.

      D. Maria I e toda a família passam cinco dias em Alcobaça, em 1786. O tombo do reino aqui esteve durante séculos.

      O edifício do Mosteiro guarda ainda soluções e técnicas do período românico, mas é um esplendor gótico que se nos oferece ao prazer dos sentidos.

      Os arcobotantes da cabeceira e as naves laterais erguendo-se à altura da nave central estabilizaram o imenso corpo da igreja monástica.

      Ao longo de sete séculos, os monges de Cister, construíram do nada, um edifício de  dimensões invulgares, povoaram um território e desenvolveram nele um modelo de economia agro-pecuária jamais visto em Portugal transformando servos em agricultores e pastores. Ajudaram a fundar vilas e povoações, escreveram uma notável biblioteca e foram fiéis depositários dos documentos régios essenciais.

       A arte da escultura em terracota preencheu a vida artística do Mosteiro nos séculos XVII e XVIII, dela ainda se guardam o retábulo da morte de São Bernardo, as estátuas dos reis de Portugal até D. José e recém-restaurada Capela-Relicário da Sacristia Nova.

      A cozinha foi erguida no século XVIII, no lugar do local onde trabalharam durante a Idade Média os copistas. Utilizou-se o ferro fundido como suporte da enorme chaminé central, provavelmente pela primeira vez na construção civil.

      Não teriam fim as indicações sobre St.ª Maria de Alcobaça em campos tão diversos quanto  os da cultura, da história da arte, da construção civil, da história religiosa e política da região e do país.

       Estas são algumas das razões que devem levar os portugueses a considerar o Mosteiro de Alcobaça como prioritário na votação das sete maravilhas de Portugal.

       Santa Maria de Alcobaça é um ícone de Portugal, não tenha dúvidas, vote nele (www.7maravilhas.pt ).    

      Rui Rasquilho
Director do Mosteiro de Alcobaça                  

 

31-12-2006
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