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Edição Nº 210 Director: Mário Lopes Quinta, 17 de Maio de 2018
Cooperativa Agrícola de Alcobaça tem a primeira mulher presidente
Maria do Carmo Martins: água, apoio técnico, experimentação e conhecimento são apostas
  
             Maria do Carmo Martins
É a primeira mulher a liderar a Cooperativa Agrícola de Alcobaça. Maria do Carmo Martins tem 44 anos e é Engenheira Agrónoma com mestrado em Economia Agrária e Sociologia Rural. A nova presidente da direcção da Cooperativa Agrícola de Alcobaça tomou posse em janeiro de 2018, para um mandato de três anos. Em entrevista ao Tinta Fresca, Maria do Carmo Martins fala do passado da Cooperativa e da recuperação que foi feita nos anteriores mandatos, e aborda também os novos projectos e as preocupações da direcção que lidera para os próximos anos.

   Tinta Fresca – Como surgiu a sua ligação à Cooperativa?
Maria do Carmo Martins
- A minha ligação à Cooperativa surgiu depois de o anterior presidente, Manuel Castelhano, ter querido conhecer o trabalho do COTHN – Centro Operacional e Tecnológico Hortofrutícola Nacional, sendo eu secretária-geral do COTHN. Desde então, a Cooperativa passou a ser associada do COTHN.

Fui convidada no mandato anterior para fazer parte da direcção como vogal. Quando o ex-presidente tomou a decisão de não se voltar a candidatar, os membros da direcção anterior tentaram perceber quem teria mais disponibilidade para aceitar a presidência da Direcção. A atual Direcção vem na sua maioria da equipa diretiva anterior e eu entretanto avancei, quer por estar mais perto, quer pelos colegas terem depositado em mim essa confiança.
A Cooperativa é uma estrutura da região muito importante por tudo aquilo que já deu à região e pelo impacto agrícola que teve e quer agora, com o renascer, abrir-se aos seus associados. Achei que poderia dar continuidade a este projecto.

   Tinta Fresca - Como está a situação financeira e a actividade económica e diária da cooperativa?
Maria do Carmo Martins
- Felizmente está boa e recomenda-se. Há que realçar o trabalho excelente dos três anteriores mandatos. Houve um esforço muito grande para recuperar a Cooperativa. Primeiro pagar as dívidas aos fornecedores, o que foi concluído no mandato anterior. Para além da preocupação de pagar as dívidas houve também a preocupação de tentar abrir e criar mais valências na Cooperativa, para que também ela se tornasse mais sustentável economicamente.

Atualmente a Cooperativa não tem qualquer dívida bancária nem qualquer empréstimo. A nossa saúde financeira é realmente muito boa, o que nos dá a nós, nova direcção, um conforto mas também uma responsabilidade enorme. Manuel Castelhano deixa aqui uma marca muito grande e isso traz mais responsabilidades. Este é um mandato de consolidação do trabalho que foi feito nos últimos mandatos.

Em relação às diferentes áreas de actividade da Cooperativa, a Loja mantém-se como o grande coração, que movimenta o maior volume financeiro. Continua com dinâmica, houve a preocupação de a tornar mais atractiva, com um leque de produtos mais variados e que vai ao encontro das necessidades dos associados e clientes.

Depois temos a parte dos agro-químicos, a parte de apoio aos associados para os fitofarmacêuticos. Houve uma remodelação no departamento, uma vez que os anteriores técnicos foram abraçar outros projectos, o que é bom sinal para nós e quer dizer que eles cresceram com a instituição. Temos uma equipa nova, remodelada, motivada para mantermos e até alargar o nosso apoio técnico em algumas áreas.

Em termos de resultados líquidos da Cooperativa, tivemos um crescimento nos fitofármacos e na Loja. Passámos de valores de 8 mil euros para cerca de 30 mil euros de resultado positivo. Foi um aumento muito significativo.

A Granja de Cister continua a ser um projecto em expansão, com uma média de crescimento de 15 a 20% ao ano. Notamos agora que estamos a entrar numa fase de estabilização, portanto é um desafio para esta nova direcção ver o que podemos fazer para continuar a crescer. Neste momento aquilo que a Granja de Cister produz financeiramente já cobre as suas despesas, sendo autónoma.

A área da formação tem tido alguns altos e baixos. Tivemos um grande volume de inscrições com as formações financiadas, como a aplicação de fitofármacos, depois houve uma quebra e agora com a obrigatoriedade de haver licença e formação para condução de tratores, a formação volta a ter muitas inscrições.

As duas áreas que nos trazem mais desafios serão a formação e os fitofármacos.

   Tinta Fresca – Em relação à Granja de Cister, como está o projecto de entrega de produtos na zona de Lisboa?
Maria do Carmo Martins
– Infelizmente esse projecto já não está a funcionar. Tínhamos o projecto de levar a Granja de porta a porta mas o nosso parceiro do projecto acabou por querer abraçar outros projectos e o nosso acabou por não se concretizar. Fizemos algumas entregas, mas não foi possível continuar. Não quer dizer que o tenhamos posto de parte. Neste momento vamos tentar pensar e estruturar melhor essa actividade e perceber se teremos capacidade de a implementar.

   Tinta Fresca – Quantos sócios tem a Cooperativa? Esse número tem vindo a aumentar?
Maria do Carmo Martins
– Sócios ativos da Cooperativa serão mais de 2 mil, sendo que o total é superior a 4 mil. No entanto, muitos não estão ativos. Um dos trabalhos que temos efectuado é a transferência de quotas. Isso é muito importante porque temos sócios que já não tem actividade, mas que mantêm a quota. Esses podem transferir a quota para familiares tornando-se estes sócios ativos. Esta é uma das situações que gostávamos que se consolidasse neste mandato, o aumento do número de sócios e a transferência de quotas. Isso leva a que a Cooperativa se aproxime mais dos seus associados e que eles sintam que a Cooperativa é a casa deles, onde podem encontrar soluções para os seus problemas.

   Tinta Fresca – A Maria do Carmo Martins é a primeira mulher a liderar a Cooperativa Agrícola de Alcobaça. Como foi a reação da direcção e dos associados?
Maria do Carmo Martins –
Dos restantes elementos da direcção recebi muito apoio. Em relação aos associados não tenho achado nenhum desconforto, até pelo contrário. Mesmo durante as eleições, quando tive oportunidade de falar com os associados, achei que havia muita confiança, não senti que o fato de ser mulher me estava a limitar. Bem pelo contrário, fui muito apoiada e estamos a falar de sócios já com alguma idade. Tenho-me sentido muito acarinhada pelos produtores e pelos funcionários.

Por outro lado, por ser a primeira mulher também me sinto muito responsabilizada. Esta confiança que sinto por parte de todos, aumenta a responsabilidade. Irei dar o meu melhor e vestir a camisola desta instituição, porque só faz sentido quando nós nos entregamos aos projectos.

  
    Maria do Carmo Martins à entrada
               da Loja da Cooperativa
Tinta Fresca – Falando em novos projectos. Que projectos ou ideias trouxe para este novo mandato?
Maria do Carmo Martins
– Algumas ideias já vinham sendo falados na anterior direcção, visto que a estrutura principal se mantém, outras são novas. Posso identificar alguns projectos.
Ao nível do apoio técnico, e porque consideramos isso a janela da Cooperativa, o facto de estar próximo do agricultor e acompanhá-lo é fundamental. Queremos que seja cada vez mais um serviço de qualidade. Assim, pensámos em criar um campo experimental, para o qual iremos pedir apoio do INIAV, para fazer pequenos ensaios, indo ao encontro das necessidades dos nossos produtores. Ao fazermos experiências podemos dar uma informação mais correta ao produtor, evitando que ele faça erros, potenciando a sua actividade e aumentando o seu rendimento.

Gostaríamos que o campo experimental pudesse ser feito na zona da Maiorga. Estamos a trabalhar nisso, e porquê na Maiorga? Não é uma escolha completamente inocente. Na Maiorga tem sido difícil juntar as pessoas em torno de um projecto, como acontece por exemplo com a Associação de Regantes na Cela e Bárrio. Queremos tentar iniciar ali o núcleo ou a génese daquilo que poderia vir a ser uma associação. Pretendemos que ao implementar o nosso campo experimental, a Cooperativa possa dar o seu contributo para juntar os produtores.

Outro dos projectos, que já vem do mandato anterior e que vamos tentar concretizar ainda este mandato, é um centro de experimentação de máquinas agrícolas. Esta hipótese surgiu de um consórcio que começou a ser pensado há dois anos, que junta a Universidade de Coimbra com a Cooperativa Agrícola e o COTHN. Começámos a perceber que existem determinadas lacunas. O agricultor quando quer ter informação sobre qual o equipamento que deve comprar, ou formação específica que não encontra, além do conhecimento dos comerciais da área. Sentimos a necessidade dos agricultores e também dos fabricantes de certificar os seus equipamentos. Foi tentando cumprir essas necessidades, que começámos a pensar em avançar. Esta é uma forma da Cooperativa dar resposta aos seus produtores e associados.

Outro projecto está relacionado com a água. A água é fundamental e nós elegemos esse tema para o nosso plano eleitoral. Tivemos dois anos de seca seguidos e com os problemas que trouxeram, tivemos agora um mês de março onde choveu mais que no inverno inteiro. Sabemos que no futuro vamos estar muito mais sujeitos a este tipo de situações de risco e a todos os problemas que traz.

A água é fundamental porque, se queremos produzir com qualidade e quantidade, só com água. A agricultura de sequeiro não vai ter essas qualidades. Com as novas áreas de produção que estão a ser feitas, é necessário garantir que vamos ter água para as alimentar.

Já falámos na Direção Regional de Agricultura sobre a hipótese de se fazerem intervenções ao nível das linhas de água, nomeadamente pequenos açudes ou taludes. Estamos a falar de intervenções que são temporárias, com o impacto mínimo possível em termos ambientais. Também já falámos com o vereador do Desenvolvimento Rural e com o presidente do Município de Alcobaça. Estamos a dizer que queremos ajudar e ser parceiros na resolução deste problema. Também somos favoráveis ao novo projecto do Tejo, mas isso será uma solução a longo prazo, não uma resposta a curto prazo.

   Tinta Fresca – Onde se localizariam esses pequenos açudes?
Maria do Carmo Martins
– Seriam nas linhas permanentes de água. Estou a falar do Rio Alcoa e do Baça. Sabemos de um projecto idêntico em Torres Vedras onde são utilizados insufláveis e onde o impacto é mínimo para o Ambiente. Até aqui têm-se usado muito as captações de água, mas elas não serão a solução, visto que os lençóis freáticos irão diminuir e as captações serão cada vez mais fundas o que aumenta também as despesas dos produtores.

Água, apoio técnico, experimentação e conhecimento são as áreas principais dos projectos que iremos desenvolver neste mandato. Além disso, iremos também olhar para a Granja de Cister e perceber como podemos criar dinâmica à sua volta. Outra vertente será a aposta na formação, conhecimento e qualificação dos nossos recursos humanos, porque só assim poderemos prestar um bom serviço.

   Tinta Fresca – Quer deixar alguma mensagem aos sócios?
Maria do Carmo Martins –
Queria pedir que viessem à Cooperativa, que vissem na Cooperativa a sua casa. A Cooperativa é dos seus cooperantes. Nós sabemos que não fazemos tudo bem feito, mas estamos aqui para ouvir e para ser criticados. Quando essa crítica é construtiva ajuda-nos a caminhar no sentido que queremos. Venham à Cooperativa, falem connosco, somos uma direcção jovem, precisamos da experiência dos nossos associados. Que vejam em nós o apoio e a procura de soluções para a sua actividade.

   Mónica Alexandre
17-05-2018
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