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Edição Nº 62 Director: Mário Lopes Quinta, 1 de Dezembro de 2005
Nazaré
Francisco Louçã : "Hoje não há indústria nem há pesca, há negócios gigantescos"

 Francisco Louçã

Francisco Louçã esteve presente num jantar de apoiantes no dia 30 de Novembro, na Nazaré. O candidato às presidenciais elegeu o combate ao desemprego como a prioridade do País e responsabilizou Cavaco Silva de ter destruído a indústria nacional com as privatizações. Numa alusão ao hino da candidatura de Cavaco - da autoria de Dias Loureiro e Proença de Carvalho - que fala em "perder o medo e vencer a bruma", Louçã considerou que "hoje não há indústria nem há pesca, há negócios gigantescos: cada ano que passa estamos a entrar nesta bruma do negocismo em que tudo se trafica por detrás dos cortinados do Poder".

Estiveram presentes neste jantar, entre outros, o deputado do Bloco de Esquerda João Teixeira Lopes, o mandatário nacional, Jorge Costa, o mandatário distrital, Valério Silva, o candidato bloquista à presidência da Câmara Municipal da Nazaré, Joaquim Piló, e o recém-eleito deputado municipal do BE, Manuel António Sequeira.

O candidato às eleições presidenciais apoiado pelo Bloco de Esquerda acusou algumas das candidaturas de não terem dito uma palavra sobre os problemas que Portugal vai enfrentar nos próximos anos, apesar de todas terem exactamente a mesma responsabilidade. "Eu fiz uma escolha diferente, contribuir para olhar para os problemas mais essenciais", defendeu exemplificando com a crise da Justiça: "Como é possível continuarmos a viver num País em que a Justiça ainda não é uma vibração da liberdade, ainda não é uma responsabilidade pública, porque nunca podemos ter a certeza da eficiência, da seriedade, do rigor, da boa lei, da democracia no acesso à lei", questionou.

 Jantar reuniu uma centena de apoiantes

Louçã elegeu a Justiça, a política ambiental, a política de segurança social, a sustentabilidade do sistema de protecção social, a política de emprego e de combate à exclusão social, a preocupação com os mais pobres, os mais idosos e os mais desprotegidos e a democracia paritária entre homens e mulheres, como as principais questões da agenda da sua candidatura.

"Pode haver todos os dias muita discussão sobre a espuma dos dias, mas eu concentrar-me-ei sempre sobre estas questões. Sem estas discussões e sem estas escolhas, teremos sempre uma democracia menos, em vez de termos a democracia toda, que é precisa para vivermos no Portugal europeu do século XXI", defendeu.

Contudo, o candidato considera que essa não é a escolha de todos os candidatos. e que alguns até acham que a candidatura em que se incluem conseguirá ser mais forte se falar menos e se falar menos dos problemas mais importantes: "O Dr. Cavaco Silva inaugurou hoje o seu hino de campanha. Já é uma boa notícia. Que se cante é melhor notícia do que não se fale nesta campanha", ironizou.

Valério Silva 

Francisco Louçã considerou este hino, escrito com letra do banqueiro Dias Loureiro e do advogado Proença de Carvalho e cantado por Kátia Guerreiro, como muito curioso por apelar a perder o medo e a romper a bruma: "Eu acho (curioso) que depois de termos tido o hino do "Menino Guerreiro" ainda há pouco tempo (na campanha de Pedro Santana Lopes) a juntar os entusiastas do PSD, agora se apele a romper a bruma, nesta revigoração do mito sebastiânico de alguém que vai perpassar por entre o nevoeiro e iluminar o País. Mas nós já a conhecemos e é desta bruma que eu vos quero mesmo falar", adiantou.

"Quero-vos falar da bruma como ela se instituiu, como negócio, como Poder, como silêncio, como obscuridade na política deste País", prosseguiu Francisco Louçã, acrescentando que não é por acaso que no próximo ano o Orçamento de Estado prevê 1600 milhões de contos de privatizações e o Governo Sócrates promete que em 4 anos se chega a 5 mil milhões de euros de privatizações. "O Estado hoje tem uma palavra sobre a política da água, transportes, comunicações, energia e serviços públicos - tribunais, saúde e ensino - e nesses sectores fundamentais é onde se vão fazer 5 mil milhões de brumosas privatizações", informou.

Segundo Louçã, "esta locomotiva da privatização vem-nos de um passado, ele sim brumoso, em que, com o homem do leme Cavaco Silva, começa a delapidação de muita da propriedade pública entregue a bancos que rapidamente foram vendidos ao estrangeiro. Será que ninguém se lembra de como foi entregue um banco a Champalimaud para imediatamente ser vendido ao estrangeiro?", questiona

 Joaquim Piló

De acordo com o economista, "esta locomotiva das privatizações continua sempre e agora prometendo os melhores e mais saborosos negócios possíveis. Quem comprar as Águas de Portugal ficará com dois benefícios: o primeiro é ficar com uma coisa que vai vender, mas não pode produzir. Que se saiba ninguém produz a água, pode haver uma empresa que a engarrafa, mas quem a produz é a Natureza. O segundo benefício é que vão vender algo que é tão essencial às pessoas que elas nunca podem deixar de comprar e, comprando, nunca podem sequer negociar o preço".

E alerta que "o consumidor é sempre uma vítima do apetite negocial da empresa e este é o melhor negócio que se pode ter. Quem tiver as Águas de Portugal, os aeroportos de Portugal, a TAP, a EDP, a Gás de Portugal ou a Galp tem todos estes interesses, com a vantagem de poder impor o preço que quer porque só eles vendem aquilo que as pessoas precisam. Que privatizações tão apetitosas e brumosas!"

Francisco Louçã considerou que a indústria nacional foi destruída após 20 anos de privatizações, o que é constatável por nenhuma indústria constar actualmente da lista das maiores empresas portuguesas. O candidato avançou ainda que existem em Portugal mais de 500 mil famílias com um ou dois desempregados cada e 1,5 milhões de portugueses - um em cada três - a trabalhar precariamente.

"As maiores empresas de certeza não têm o trabalho da imaginação, da produção, o emprego de pessoas e não respondem ao desenvolvimento de um País porque só vêem um País destas brumas antigas onde só se trabalha com salário mínimo e sem qualquer direito. Estes patrões, estes empresários, estes banqueiros, podem saber fazer poemas, podem fazer música para hinos, mas o único País que eles conhecem é um País de salários baixos, de produção baixa, sem qualificações e, portanto, não tem futuro. Entre os apoiantes da candidatura de Cavaco Silva estão estes banqueiros e estes senhores do Poder económico", acusa.

Além disso, "hoje não há indústria nem há pesca, há negócios gigantescos. Cada ano que passa estamos a entrar nesta bruma do negocismo em que tudo se trafica por detrás dos cortinados do Poder. E é isso que nós não podemos aceitar. O preço social é desemprego e é desqualificação. Se querem falar de bruma, falem do que é preocupante no País. O que é preocupante não é saber se a Direita tem alguém para vir salvar o País. A Direita faz parte da crise profunda e desta bruma dos negócios", argumentou.


Segundo o candidato do Bloco de Esquerda, "o que é preocupante é o desempregado e a desempregada. Se o primeiro-ministro ouvisse alguma coisa do que o País lhe diz, então teríamos de dizer: José Sócrates, uma política económica é a que tem inscrita na parede do gabinete do primeiro-ministro «conta do desemprego». O único número que interessa é o número do desemprego. A política está errada se aumenta o desemprego e José Sócrates está a fazer uma política errada".

Louçã adiantou ainda que o Governo estimou um nível de desemprego de 7, 7% no final do próximo ano, se as coisas corressem mal, mas sublinha que esse valor já foi atingido este ano. O candidato revela que há 430 mil desempregados registados no INE, mas 478 mil inscritos nos centros de emprego. Além disso, muitos desempregados não contam para estes números, ou seja, aqueles que nas últimas 4 semanas não voltaram a contactar o centro de emprego.

"O problema fundamental de qualquer política económica é o desemprego. O problema fundamental são os homens e mulheres que perderam o emprego ao fim de 30 anos de trabalho e sabem que se arriscam a nunca mais conseguir trabalho e os jovens licenciados, que acabaram o seu curso e sabem que só terão trabalho precário ou o destino das portas da emigração", frisa.

"A escolha agora é entre a bruma e a claridade. Entre os números e as pessoas. Entre a política responsável e a irresponsabilidade. Entre a democracia e a irresponsabilidade ignorante. Essa é a escolha que temos de fazer nestas eleições presidenciais", conclui.


         Mário Lopes

01-12-2005
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