considerou, durante o estágio em Óbidos, que Portugal terá de ser uma equipa muito forte ao longo dos 180 minutos frente à Bósnia-Herzegovina, no “play-off” de apuramento para o Mundial de 2010. “Nós temos um jogo com duas partes. Os primeiros 90 minutos jogam-se na Luz. Ninguém ganha jogos ao intervalo. Essa ideia de que a eliminatória tem de acabar no Estádio da Luz não me parece correcta”, referiu em conferência de imprensa, no complexo da Praia D’el Rey, em Óbidos.
Para Carlos Queiroz, a selecção bósnia “é uma equipa que pode defender à frente ou ficar posicionada atrás”. “Acreditamos que vão jogar mais posicionados sobre a sua defesa. Temos de fazer um jogo muito bom e estar atentos a todos os pormenores. Só quem não esteve com um mosquito num quarto à noite é que não sabe a importância de um pequeno detalhe”, disse.
Depois de mais de três anos de ausência, Ricardo Costa foi chamado à selecção e Carlos Queiroz garante que o defesa pode ser decisivo neste confronto, também por conhecer muito bem os bósnios Dzeko e Misimovic. “Vai ser uma ajuda preciosa. O Ricardo joga no Wolfsburgo, da Alemanha com dois dos melhores jogadores deles. O contributo dele vai ser muito importante, pelo que conhece deles. São jogadores que não são conhecidos em Portugal e que espero que não passem a ser conhecidos”, referiu.
Carlos Queiroz deixou ainda elogios aos estreantes Fábio Coentrão, que tem estado num “ascendente fantástico”, e Hilário, que “pode dar à equipa nacional uma segurança, uma maturidade”.

Deco, Nani e Carlos Queirós
O avançado Cristiano Ronaldo assumiu a “frustração” por estar ausente do “play-off” de qualificação para o Mundial de futebol de 2010, frente à Bósnia-Herzegovina, mostrando-se convicto de que Portugal vai qualificar-se. “É uma frustração imensa não poder ajudar Portugal, mais ainda por se tratar de um momento tão decisivo como vai ser este 'play-off' com a Bósnia”, disse o jogador do Real Madrid, em declarações ao sítio na Internet da empresa de agenciamento Gestifute, garantindo que vai estar presente no jogo de sábado, no Estádio da Luz, para “sofrer e vibrar” com a selecção lusa.
Cristiano Ronaldo foi dispensado da selecção, depois de se ter deslocado a Lisboa em avião privado, para que a sua lesão no tornozelo direito fosse avaliada pelos médicos da equipa nacional, regressando depois a Madrid. “Ninguém, neste momento, se sente mais triste do que eu próprio, porque representar a selecção portuguesa nunca deixará de ser um dos maiores orgulhos que sinto enquanto profissional de futebol e cidadão, mas não me resta outra alternativa que não seja a de ficar a torcer por fora”, acrescentou Cristiano Ronaldo.
A selecção portuguesa de futebol precisa de mais do dobro do número de remates para marcar um golo do que a Bósnia-Herzegovina. Nos 10 jogos da fase de apuramento para a África do Sul, Portugal marcou 17 golos em 166 remates, enquanto a Bósnia-Herzegovina precisou de apenas 110 “tiros” para apontar 25 tentos.
O conjunto bósnio apresenta-se no "play-off" como o melhor ataque, enquanto Portugal é, das oito equipas apuradas, a segunda equipa com menos golos, apenas à frente da República da Irlanda (12).
O recorde de remates de Portugal aconteceu em Copenhaga, em que a selecção lusa atirou 26 vezes à baliza (14 enquadrados), mas apenas Liedson, que se estreou nesse jogo, conseguiu colocar a bola no fundo das redes da Dinamarca (1-1).
Contudo, Portugal tem a terceira melhor defesa da fase de qualificação europeia, com apenas cinco golos sofridos, menos oito do que a Bósnia. Nos 10 jogos de apuramento, em média, Portugal concedeu 5,4 remates à equipa adversária e a Bósnia-Herzegovina permite 10,9, sendo que a equipa lusa sofre um golo a cada 10,8 remates e a bósnia a cada 8,4. Nos 10 encontros do Grupo 1, Portugal sofreu 186 faltas e cometeu 133, enquanto a Bósnia-Herzegovina fez 186 infracções e sofreu 151.
Portugal defronta a Bósnia-Herzegovina no sábado, no Estádio da Luz, na primeira mão do "play-off", enquanto o segundo jogo se realiza em Zenica, quatro dias depois.
Carlos Barroso