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Paulo Batista Santos
Num plágio consciente da conhecida série televisiva de humor, penso que é tempo de verificarmos a governação socialista, passados mais de dois anos de um mandato sustentado por uma maioria absoluta. Em jeito de repórter de ocasião, mas com sentido de ajudar o nosso Governo, recordo apenas cinco promessas das mais emblemáticas feitas há dois anos pelo então candidato a primeiro-ministro e secretário-geral do Partido Socialista, o senhor engenheiro técnico José Sócrates (e naturalmente apresenta-se as mais do que justificadas razões para o seu incumprimento):
1ª Promessa: Criação de 150 mil novos postos de trabalho. Quando o Governo foi eleito, em meados de 2005, a taxa de desemprego era de 7,1%. Hoje é de 8,2%. Há dois anos tínhamos 389 mil desempregados. Hoje, temos 458 mil Portugueses no desemprego. A nossa taxa de desemprego é a mais alta dos últimos 20 anos. Justificação possível mas politicamente incorrecta: os portugueses em geral e os desempregados em particular é que são os culpados porque podem a todo o tempo emigrar, não só baixa a taxa de desemprego como aumenta as remessas externas.
2ª Promessa: Não aos aumentos de impostos. Durante estes 2 anos todos os impostos foram aumentados. Do IVA (que subiu de 19% para 21%) ao ISP, passando pelo IRC e pelo IRS, todos os impostos subiram. Cada Português pagou, em média, mais 330 Euros do que pagava há 2 anos atrás, mais de 66 contos na moeda antiga. Justificação partilhada pelo Governo e Banco de Portugal: a economia cresce a níveis nunca vistos no nosso País, mas o Governo está empenhado na ajuda externa aos países irmãos de língua oficial portuguesa e, por isso, solidariamente temos de aceitar mais aumentos de impostos. Os portugueses têm sempre o recurso de ir à vizinha Espanha, onde os impostos são significativamente mais baixos.
3ª Promessa: Complemento Solidário para 300 mil Idosos. Há 2 anos o Governo prometeu criar o chamado Complemento Solidário para Idosos. Era a promessa de atribuir um complemento de reforma a 300 mil idosos. Dois anos depois, só 20 mil idosos beneficiam desta regalia. Menos de 10% do que foi prometido. Duzentos e oitenta mil continuam à espera da promessa que não se cumpre. Com o inferno burocrático que o Governo criou para aceder a este benefício – impressos e mais impressos para preencher por pessoas idosas – é bom de ver que estamos perante mais uma promessa que fica por cumprir. Justificação mais do que aceitável: está em curso um processo acelerado de aprendizagem das novas tecnologias pelos Idosos com mais de 85 anos, uma grande iniciativa conjunta dos gestores do Plano Tecnológico e do Programa Novas Oportunidades, que aponta para que nos próximos 25 anos os candidatos estejam dispensados de fazer prova de vida e o Complemento Solidário estará à distância de um mero “click” informático.
4ª Promessa: Dezenas de mega investimentos privados em Portugal. Há mais de um ano o primeiro-ministro percorreu o País a anunciar 23 novos grandes investimentos. Eram investimentos no valor global de 5.800 Milhões de Euros. Um ano depois, só 3 desses investimentos se realizaram (e mesmo estes ainda não passaram do papel). Vinte estão por concretizar. Justificação apresentada à Comissão Europeia e objecto de referência especial nas reuniões bilaterais com os Estados Unidos da América: a culpa é dos chineses que invadem com produtos baratos e mão-de-obra a baixo custo as economias modernas como a portuguesa. O Governo tem em estudo uma estratégia à escala global que vai inverter esta tendência. A construção da mega plataforma logística no Poceirão em parceria com investidores chineses será o primeiro passo para a concretização desta brilhante estratégia.
5ª Promessa: Mais e melhor Saúde para os portugueses. Em 2 anos o preço dos medicamentos subiu 6,6%. Mais de trezentos medicamentos deixaram de ser comparticipados pelo Estado. O mercado de genéricos estagnou e passou a ser obrigatório pagar uma taxa por um internamento hospitalar ou por uma cirurgia, com excepção original para os casos de aborto voluntário. Com os múltiplos encerramentos de serviços de atendimento permanentes, de extensões de saúde e de serviços de urgências, o que as pessoas sentem hoje, é a saúde mais distante e mais difícil, especialmente para os idosos, os pensionistas e os reformados. Justificação mais ou menos oficial: os problemas da Saúde têm muito a ver com os maus hábitos alimentares nacionais e com o futebol. Um em cada cinco portugueses sofre de problemas derivados do coração ou de stress desportivo. O Governo, através do senhor Ministro da Saúde, vai lançar uma campanha nacional sob o slogan “não fique doente, pela sua saúde”. Como facilmente se percebe é uma mensagem bastante óbvia e com resultados imediatos, pelo que as medidas anunciadas de encerramento de serviços de saúde não terão qualquer impacto junto das populações. Para o ano há mais…promessas por cumprir!
Paulo Batista Santos Gestor e autarca
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