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| Promovido pelo Município de Leiria |
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| Fórum em Leiria reuniu consenso na abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil |
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 António Bernardo O Teatro José Lúcio da Silva recebeu no dia 18 de junho, o “Fórum Aviação Civil em Monte Real – uma aposta para o desenvolvimento futuro da região”, que contou com intervenções de vários autarcas, empresários, deputados e sociedade civil, tendo os presentes mostrado união em torno deste projecto e da sua viabilidade. A abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil é considerada por todos como “uma alavanca para o desenvolvimento da região” e o investimento previsto de 20 milhões de euros é considerado “pouco significativo tendo em conta o que vai gerar”.
Na mesa do fórum, moderada pelos jornalistas João Nazário e Francisco Santos, marcaram presença os autarcas Raul Castro e Cidália Ferreira, presidentes das Câmaras Municipais de Leiria e da Marinha Grande, respectivamente, que custearam o estudo de viabilidade; o general José Tareco; Jorge Santos, presidente da Nerlei; Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro; João Ataíde, presidente da Câmara da Figueira da Foz e Santana Lopes, ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Câmara da Figueira da Foz, um dos primeiros impulsionadores da abertura da BA5 à aviação civil. Na plateia do Teatro José Lúcio da Silva, marcaram também presença muitos autarcas da região, empresários e sociedade civil.
O estudo de viabilidade foi apresentado por António Bernardo, da empresa Roland Berger, que salientou a contribuição do aeroporto para a “uma maior dinamização económica da região”. O estudo apresentado debruçou-se sobre dois aspectos: o potencial tráfego de visitantes e os custos do alargamento da infraestrutura e abertura aos voos civis.
Segundo António Bernardo, a região representa mais de 20% da população do País, sendo a região com a taxa de desemprego mais baixa, e que conta uma diversidade concentrada em termos cultural, gastronómico, histórico, sol e mar, turismo, sendo “Fátima uma alavanca fundamental para a implementação do aeroporto”.
Segundo o especialista, a maioria dos visitantes da região provêm dos países europeus (78%), seguindo-se Brasil, EUA estando países asiáticos como Coreia do Sul, Indonésia, Filipinas, Vietname e Índia em especial destaque e com potencial de crescimento. Assim, o estudo prevê que o tráfego seja de 600 a 620 mil passageiros por ano. Além do turismo, também o sector empresarial da região dedicado às exportações e o número de imigrantes da região nos países europeus irá contribuir para a viabilidade do projecto.
 Oradores presentes no “Fórum Aviação Civil em Monte Real" “Acreditamos que a abertura da Base à aviação civil contribuirá para aprofundar uma relação de décadas de colaboração entre a sociedade civil e a estrutura militar, com ganhos para as duas partes”, referiu Raul Castro, defendendo que a “realização deste fórum ocorre num momento em que consideramos que não é possível continuar a adiar este investimento sob pena de ser travado e comprometido de forma irreparável o potencial de crescimento da Região Centro”.
Segundo o edil, “a economia deste território atravessa um ciclo de forte crescimento, as nossas empresas exportam como nunca e o turismo cresce a um ritmo sem precedentes. Estamos numa região com uma fortíssima margem de progressão económica e social, temos empresas de matriz tecnológica, património classificado pela Unesco com grande capacidade de atração, uma costa ímpar, ondas assombrosas, castelos e monumentos únicos, gastronomia com sabor a mar e a serra, e o Santuário de Fátima que atraiu 9,4 milhões de peregrinos em 2017 de uma centena de países”.
Raul Castro recorda também que, apesar disso, “ano após ano, legislatura após legislatura, tem sido cavado um fosso em torno das nossas aspirações. Não aceitamos que nos continuem a iludir com um jogo de avanços e recuos e de meias palavras”, porque o que “está em causa é a determinação de toda uma região que ambiciona vencer os desafios do futuro. Este é o nosso momento. Não pedimos esmolas nem caridade, mas que nos deixem continuar a trilhar o nosso caminho”.
O autarca leiriense considera que “a chave para o desenvolvimento do nosso território passa pela criação do Aeroporto Regional Internacional de Monte Real, modelo equivalente à Base das Lajes. Esta infraestrutura será fundamental para elevar o nível competitivo desta região.Vamos bater-nos até ao fim pela defesa dos nossos interesses. Se puxarmos todos para o mesmo lado, por certo seremos capazes de afirmar o Centro como uma das mais dinâmicas regiões do país” afirmou.
Por sua vez, Cidália Ferreira, afirmou que “a abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação é um desígnio do qual não abdicaremos. A abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil responde a um anseio profundo e sustentado da sociedade civil desde 1997, sendo exemplo a petição pública que se encontra a circular com cerca de 4 mil assinaturas e conta com o apoio institucional de várias autarquias da região”.
 Sessão decorreu no Teatro José Lúcio da Silva Para Cidália Ferreira, “esta causa é supra-partidária e supra-concelhia. Esta causa une autarcas com diferentes prioridades, deputados à Assembleia da República com diferentes orientações políticas e populações com diferentes aspirações”. A autarca lembrou que “no Centro de Portugal existe uma forte dinâmica social, cultural, religiosa, académica e empresarial. Uma região onde há tudo, mas onde falta uma infraestrutura de aviação civil que nos aproxime das principais cidades e capitais europeias na perspectiva dos diferentes segmentos de mercado que já aproveitamos mas que assim poderíamos rentabilizar”.
Lembrando-se dos que contestam esta solução, a autarca sublinhou que “a solução Lisboa + 1 só está dimensionada para responder às necessidades de Lisboa e sua área metropolitana, o aeroporto de Lisboa é considerado o menos pontual da Europa e, para os que dizem que os aeroportos de Lisboa e Porto só estão a 140 km, dizemos que a BA5 é a que melhor defende a racionalidade económica do investimento, porque a partilha de pistas permite reduzir o investimento, como comprova o estudo apresentado”.
Além disso, a edil referiu que a utilização da BA5 tem as melhores condições de ligação às principais rodovias a partir da A17 possibilitando deslocações para norte (A29 e A1), para Sul (A8 e A1) e para o interior (A14 e A25), além de poder vir a ser mais potenciada se for rentabilizada a Linha do Oeste com ligação à Linha do Norte.
A finalizar a autarca marinhense realçou que “defendemos a abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil pela sua importância para o desenvolvimento integral, para a coesão social, para a diminuição de assimetrias, para o equilíbrio territorial, não apenas de uma região, mas do próprio País”.
Jorge Santos, presidente da Nerlei afirmou que “o tecido empresarial desta região é essencialmente exportador e produz mais de 20% do PIB nacional, que poderá ser aumentado com esta infraestrutura”, pelo que a “presença de tantas entidades em torno de um objectivo pode fazer deste o momento chave para catapultar e desenvolver a abertura da BA5 à aviação civil”.
Por sua vez, o General José Tareco, reformado, deu exemplo da utilização das bases de Beja e Lajes que são caso de sucesso de utilização em comum das pistas para fins militares e civis, afirmando que “Portugal já tem uma longa experiência nesta matéria” e que a abertura da BA5 à aviação civil “será uma mais-valia para o País. Custos repartidos são uma mais-valia. Temos uma necessidade civil que já existia há muito e por outro lado as infraestruturas sobrantes. Assim teremos a resposta a uma necessidade e a utilização da capacidade sobrante nas infraestruturas pela sociedade civil”, salientou.
Já João Ataíde, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, afirmou que “nunca ouvimos ninguém que pudesse pôr em causa este projecto. Há sim uma tendência de Lisboa e Porto em se imporem. Não tenho dúvidas que faz falta um aeroporto a toda a Região Centro para se satisfazer todos os objectivos estratégicos.” Por seu turno, Pedro Machado, presidente Turismo do Centro, garantiu acreditar vivamente neste projecto salientando que “mais de 80% do fluxo internacional para Portugal é para transporte aéreo” e que “o aeroporto pode ser ferramenta de coesão para este território”. O responsável pelo turismo da região revelou que em “2017 perdemos mais de 2 milhões de passageiros por não termos uma infraestrutura para os receber. Esta necessidade que a região está a assumir é um imperativo nacional”.
Segundo Pedro Machado, “com o seu crescimento, o turismo é um sector capaz de ajudar a mobilizar e rentabilizar este investimento. Só Fátima recebeu em 2017 mais de 9 milhões de visitantes e a região contou com mais de 800 mil dormidas. Se a isso juntarmos Alcobaça, Batalha, Tomar e Coimbra com o seu património e a Nazaré, iremos mais além”.
Para Pedro Machado, “o aeroporto será um importantíssimo instrumento de distribuição de fluxo para a região. Pode ser um fator de coesão porque um aeroporto não se esgota no fluxo de passageiros, liga com outros sectores da economia e pode significar também um aumento da população residente”, salientando que “estamos a falar de uma verba pouco significativa, 20 milhões de euros, para o que o aeroporto pode significar para a coesão e desenvolvimento da região”.
Autarcas dos municípios de Nazaré, Alcobaça, Batalha, Pombal, Porto de Mós, Ourém, Alvaiázere, Pedrogão Grande, entre outros, manifestaram o seu apoio à abertura da BA5 à aviação civil, com Paulo Inácio, presidente do Município de Alcobaça a recordar os “ muitos investimentos âncora que foram sinalizados pelo Estado e que nunca foram concretizados nesta região” defendendo que é tempo das populações serem ressarcidas de promessas não cumpridas. Para o edil alcobacense, “se o investimento não for feito pelo Estado devem ser os municípios em parceria a avançar com o investimento”.
Também o edil Paulo Batista Santos, da Batalha, referiu que este é “um desafio regional” e o facto de ainda não se ter concretizado “não é um problema de dinheiro, é um problema de coesão, de consensos”, dado que “este investimento ajuda Lisboa e Porto. É uma infraestrutura estratégica para o País e Leiria poderá e será certamente uma excelente porta de entrada para o País”.
Além dos autarcas e empresários da região, também os deputados eleitos por Leiria marcaram presença no evento, com José Miguel Medeiros (PS) a afirmar que acompanham o projecto e garantindo que “faremos a nossa parte, cá estaremos para pressionar o Governo”.
Por outro lado, Heitor de Sousa (BE), defendeu que “questão tem de merecer necessariamente uma avaliação e uma discussão pública. Nós somos a favor da ideia, mas não somos a favor da ideia de construir um aeroporto de onde não se pode sair nem se consegue chegar a não ser de automóvel. Criar um aeroporto para fins civis num sítio onde não existe acessibilidade ferroviária, por exemplo, onde a linha ferroviária do Oeste está a 5 km de distância, tem 4 comboios por dia que ligam Coimbra a Lisboa e vice-versa, e querer que isto seja uma alavanca para o desenvolvimento do turismo regional é estar a contar uma história que só existe na ficção”.
Para o deputado do BE, “efectivamente, se as pessoas não puderem usar um aeroporto como plataforma de acesso a nível regional, para os vários fins, que não apenas o turismo religioso - e a mim assusta-me que 75% da procura seja para o turismo religioso - como é que as pessoas chegam ao destino, só de autocarro ou de automóvel? Nós precisamos de discutir, e imagino que esta questão é polémica, mas precisamos de discutir antes que as decisões sejam tomadas”.
Heitor de Sousa terminou alertando que “o aeroporto é uma infraestrutura que tem o lado ar, mas que também tem o lado terra, e se o lado terra não corresponder ao lado ar, isso não é possível. Esta decisão tem que ser acompanhada de um repensar das acessibilidades ao aeroporto”.
Santana Lopes, que foi o primeiro autarca a lutar pelo aeroporto, realçou que “só há uma região do País onde não há aeroporto, a região Centro”, considerando que “a Região Centro é a mais votada ao ostracismo em termos políticos”.
Para o ex-primeiro-ministro, “temos um salto de turismo na região em termos de visitantes e dormidas, imaginemos se tivéssemos o aeroporto o que podia ser. É uma questão de lógica económica, lógica política, lógica social. Esta causa tem que ser assumida como uma causa fraturante que tem a ver com o desenvolvimento equilibrado do País”, adiantando que “estamos perante uma lógica de inércia na decisão política, que se arrasta, e os que ficam para trás são sempre os mesmos. Temos um país 100% centralizado.”
Segundo Pedro Santana Lopes “as dormidas que se registaram na Região Centro no último ano, 800 mil, chegam para assegurar a rentabilidade do aeroporto” e, por isso, “a Região Centro precisa deste investimento como de pão para a boca”.
A finalizar, Fernando Rigueira, representante de um dos três grupos empresariais que estão interessados em apoiar a abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação civil, assegurou que “a Região Centro tem força para abraçar este projecto e este grupo empresarial tem disponibilidade para avançar com o investimento”. Fernando Rigueira informou ainda que “existem outros interessados em investir no projecto, inclusive grupos imobiliários”.
Mónica Alexandre
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| 21-06-2018 |
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