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Edição Nº 233 Director: Mário Lopes Segunda, 22 de Junho de 2020
Estreia 2 de julho às 21h30
Discurso sobre o Filho-da-Puta, de Alberto Pimenta, estreia no Teatro da Rainha
  
Cena do “Discurso sobre o Filho-da-Puta”, de Alberto Pimenta
É já no dia 2 de Julho que estreia no Teatro da Rainha, em Caldas da Rainha, pelas 21h30, o “Discurso sobre o Filho-da-Puta”, de Alberto Pimenta. Pegar no Discurso sobre o filho-da-puta para dele fazer um objecto cénico não é tão improvável como possa parecer, nem tem nada de vanguardismos estéreis. O texto possui qualidades rítmicas, sendo uma contrafacção em tom cómico sério do nosso mundo oficial, institucional, em particular dos universos escolar e eclesial.

   Sério cómico revela um orador — é um discurso que segue as regras da retórica para ludicamente as implodir — por detrás, um astucioso autor, alguém que entre o rigor gramatical e o desejo de fustigar o preconceito corre atrás do prazer de jogar as palavras sempre a partir do seu sentido dúplice, ambivalente, polissémico, musical, seguindo consonâncias e estruturando o discurso em fragmentariedades associadas por blocos de sentido que vão derivando por associação tanto puramente literal, ortográfica como semântica, brincando à retórica filosófica, cientista, glosando e gozando a figura do tratado de sapiência baseado na velha retórica aristotélica para a estilhaçar também por excesso de fidelidade mimética — o que caindo no ridículo traz o riso.

   O “Discurso sobre o Filho-da-Puta” oferece-nos do ponto de vista musical uma quase partitura, pelas características com propriedades sonoras da escrita poética de Alberto Pimenta, e contém pois, desde logo, os elementos propícios a uma repartição por várias vozes, de um personagem simultaneamente uno e múltiplo.

   Por outro lado, é ritual e conforma ironicamente, práticas comuns aos concertos de música erudita, tanto pelo protocolo exacerbado, como pela carga simbólica, mas também pelo rigor e a depuração do gesto, do gesto poético tornado gesto musical.

   O “Discurso” acolhe assim um quarteto de actores, como se de um quarteto de músicos se tratasse, quarteto de cordas vocais pois, para dar voz a um discurso coral no qual a palavra se faz música e se organiza em timbres, ritmos, harmonias, melodias; ora em uníssono, ou em homofonia, ou em heterofonia, ou em polifonia, ou em contraponto.

   Esta peça é um grito gramaticalmente impecável, rigoroso, pela liberdade livre e contra o preconceito e o amiguismo hipócrita e nepótico que continua a constituir os modos da nossa sociabilidade sempre muito atravessadas de ambições de poder e poderes.

  A palavra é “subir na vidinha” e para isso sempre que necessário “dar à anca”, como escreveu o Mário-Henrique Leiria.

   “E até deste discurso o filho-da-puta tirará decerto alguma lição.”


Ficha Artística:
Direcção: Fernando Mora Ramos [Encenação] e Miguel Azguime [Composição Musical]
Quarteto de cordas vocais: Cibele Maçãs / Fábio Costa / Marta Taveira e Nuno Machado
Galeria de Retratos de FDP'S: José Serrão
Estátua do FDP: Mariana Sampaio
Iluminação: António Anunciação e Lucas Keating
Cenografia e Figurinos: Fernando Mora Ramos
Produção: Ana Pereira

Estreia a 2 de Julho, em cena até 11 de Julho
Bilhete | 7.50€
Desconto Estudante, Sénior e grupos + 6 pessoas | 4.00€
M/14

    Mais informações no site https://teatrodarainha.pt/
22-06-2020
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